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Geopolítica

EUA e Venezuela negociam destino do petróleo após prisão de Nicolás Maduro

Conversas em andamento buscam aliviar estoques acumulados, reduzir perdas na produção e reabrir caminhos comerciais

EUA e Venezuela negociam destino do petróleo após prisão de Nicolás Maduro

Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos iniciaram conversas para viabilizar a exportação de petróleo bruto venezuelano para o mercado americano. As tratativas ocorrem em meio ao bloqueio imposto por Washington e ao acúmulo de milhões de barris que hoje não conseguem sair do país, segundo a Reuters, com informações divulgadas pelo G1.

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A possibilidade em discussão envolve redirecionar carregamentos que antes seguiam para a China, principal compradora do petróleo venezuelano nos últimos anos. O objetivo seria aliviar a pressão sobre os estoques e evitar novos cortes na produção.

O bloqueio adotado pelos Estados Unidos está em vigor desde meados de dezembro e integra uma estratégia de pressão política sobre Caracas, intensificada após a prisão de Nicolás Maduro no sábado (3).

Impacto do bloqueio e risco à produção

Sem espaço suficiente em navios e tanques de armazenamento, a estatal PDVSA já foi obrigada a reduzir a produção. A falta de alternativas para exportação pode levar a novos cortes nos próximos meses.

Fontes ligadas ao setor indicam que, se o petróleo parado não for escoado rapidamente, a capacidade operacional da empresa seguirá comprometida. Hoje, a produção venezuelana gira em torno de 1 milhão de barris por dia, volume bem abaixo do histórico do país.

Antes das sanções, as refinarias dos Estados Unidos, especialmente na Costa do Golfo, importavam cerca de 500 mil barris diários da Venezuela e possuem estrutura adequada para processar o petróleo pesado produzido no país sul-americano.

Interesse americano no setor petrolífero

Logo após a prisão de Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que pretende permitir a entrada de grandes companhias dos Estados Unidos no setor de energia venezuelano.

“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, declarou.

Especialistas avaliam, no entanto, que qualquer expansão significativa da produção exigirá investimentos elevados e tempo. Analistas do mercado energético apontam que a recuperação plena pode levar anos, mesmo com capital estrangeiro.

Reservas gigantes e economia dependente

A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris. Apesar disso, boa parte do petróleo é extrapesado, o que torna a extração mais cara e complexa.

A economia do país permaneceu fortemente dependente do petróleo ao longo de décadas. Entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações vieram do setor. Com a queda da produção e o avanço das sanções, a crise econômica se aprofundou.

A redução das receitas do petróleo também contribuiu para a hiperinflação registrada nos últimos anos, agravando o cenário social e fiscal venezuelano.

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