O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Brasília diante da possibilidade concreta de alterações na Esplanada dos Ministérios. Dois integrantes centrais do governo já manifestaram ao Palácio do Planalto o desejo de deixar seus cargos nas próximas semanas, segundo o G1.
Ricardo Lewandowski comunicou ao presidente, ainda no fim do ano passado, a intenção de antecipar sua saída do Ministério da Justiça. A expectativa, dentro da pasta, é que a decisão seja formalizada até o fim desta semana.
Fernando Haddad também tratou do tema com Lula. O ministro indicou que pretende deixar o comando da área econômica no início do ano, mas sinalizou que pode permanecer até o fim de fevereiro para concluir a transição.
Pressões e entraves na área da Justiça
No Ministério da Justiça, parte da equipe defende que Lewandowski permaneça no cargo até a votação da “PEC da Segurança Pública”. A proposta ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado.
Apesar disso, interlocutores relatam que o ministro demonstra desgaste. Entre os pontos citados está a dificuldade de conduzir temas sensíveis sem respaldo direto do Planalto e a falta de articulação consistente no Congresso Nacional.
Auxiliares também afirmam que projetos considerados prioritários da pasta acabaram alterados durante a tramitação legislativa, o que contribuiu para o desânimo interno.
Debate político e reorganização ministerial
No entorno do governo, a possível saída de Lewandowski reacendeu discussões no PT sobre a divisão do ministério em duas estruturas distintas, Justiça e Segurança Pública. A avaliação é que a medida poderia responder a críticas do eleitorado, já que o tema lidera as preocupações apontadas por pesquisas recentes.
O desejo do ministro é encerrar sua passagem pela pasta junto a um ato do governo relacionado ao 8 de janeiro. A palavra final, no entanto, será do presidente da República.
Fazenda já passa por mudanças
Na equipe econômica, a movimentação começou antes mesmo da eventual saída de Haddad. Marcos Barbosa Pinto deixou a Secretaria de Reformas Econômicas antes do recesso, movimento já anunciado em novembro.
Entre aliados do governo, a leitura é que a fase de reformas estruturais foi concluída. A avaliação é que a mudança no perfil da equipe reflete o encerramento desse ciclo.
Caso Haddad deixe o cargo, a tendência é que o secretário executivo, Dario Durigan, assuma interinamente o comando da pasta.

