O aumento de tarifas adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou efeitos distintos sobre o comércio exterior brasileiro em 2025. Enquanto as vendas para o mercado americano diminuíram, o Brasil ampliou exportações para um número maior de países e atingiu novos recordes em vários destinos.
Dados oficiais mostram que o país conseguiu expandir negócios com mais da metade de seus parceiros comerciais ao longo do ano. Ao mesmo tempo, o fluxo com os Estados Unidos perdeu força, pressionando o saldo bilateral entre as duas economias.
Segundo o G1, com base em números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil aumentou exportações para 53,3% de seus parceiros comerciais em 2025, mesmo em um cenário internacional mais restritivo.
Expansão para novos mercados
Mais de 40 países registraram níveis históricos de importações de produtos brasileiros. Entre os avanços mais relevantes aparecem Canadá, Índia, Noruega, Paquistão, Paraguai, Suíça, Turquia e Uruguai, com crescimentos expressivos ao longo do ano.
Em nota oficial, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos.”.
O desempenho contribuiu para um superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025. As exportações totais chegaram a US$ 349 bilhões, valor recorde, mesmo com a vigência das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante boa parte do ano.
Queda no comércio com os Estados Unidos
Na contramão do resultado global, as vendas brasileiras para os EUA recuaram. O volume exportado caiu de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma retração de 6,6%.
Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos aumentou e somou US$ 7,53 bilhões no ano passado. A reversão das tarifas foi negociada, mas só começou a valer em novembro, o que limitou os efeitos positivos no curto prazo.
Setores que puxaram as exportações
A indústria de transformação teve papel central no resultado. O segmento alcançou US$ 189 bilhões em exportações, impulsionado por recordes em produtos como carnes bovina e suína, veículos, caminhões, café torrado, máquinas, equipamentos elétricos, itens de perfumaria e defensivos agrícolas.
Na indústria extrativa, minério de ferro e petróleo atingiram volumes históricos de embarque. Já o setor agropecuário apresentou crescimento tanto em volume quanto em valor, reforçando a diversidade da pauta exportadora brasileira.
Perspectivas para os próximos meses
Especialistas avaliam que os efeitos negativos das tarifas ainda devem ser sentidos por alguns setores. Para o economista Bruno Corano, presidente da Capital Corano, “[Agora] é vital que o governo brasileiro intensifique suas estratégias comerciais e desenvolva uma política de estado que promova a expansão das exportações, especialmente em produtos com maior valor agregado”.
Ele destaca que a busca por novos mercados tende a continuar e defende maior frequência de missões comerciais. “A criação de uma política de Estado voltada à expansão das exportações é fundamental”, afirma, ao apontar a necessidade de ajustes na estratégia brasileira de comércio exterior.

