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Geopolítica

ONU convoca reunião de emergência após Rússia atacar Kiev com míssil Oreshnik

Encontro foi marcado depois de uma ofensiva recente, com mortes, feridos e alertas sobre riscos à estabilidade europeia

ONU convoca reunião de emergência após Rússia atacar Kiev com míssil Oreshnik

O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou uma reunião de emergência para esta segunda-feira (12), com o objetivo de avaliar a escalada do conflito no Leste Europeu. A convocação ocorreu depois de um ataque russo à capital da Ucrânia, Kiev, realizado com o uso do sistema de mísseis Oreshnik, que tem capacidade nuclear, segundo o G1.

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A decisão veio após o governo ucraniano formalizar uma denúncia ao órgão da ONU. O embaixador da Ucrânia junto às Nações Unidas, Andriy Melnyk, enviou uma carta aos integrantes do Conselho relatando o impacto da ofensiva e classificando o episódio como mais um avanço grave no conflito.

“A Federação Russa atingiu um novo e assustador nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade com o terror perpetrado contra civis e infraestrutura civil na Ucrânia”, afirmou Melnyk no documento.

Autoridades ucranianas informaram que os ataques deixaram ao menos quatro mortos e 22 feridos. A força aérea do país declarou que a Rússia lançou 36 mísseis e 242 drones contra diferentes regiões do território ucraniano, ampliando os danos à infraestrutura.

Escalada militar e reação internacional

De acordo com o exército russo, a ofensiva seria uma resposta a uma suposta tentativa de ataque à residência do presidente Vladimir Putin em dezembro de 2025. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rejeitou essa versão e afirmou que as acusações não correspondem à realidade.

Os alvos atingidos incluíram estruturas do setor energético que sustentam o complexo militar industrial da Ucrânia, além de instalações ligadas à produção de drones. O uso do Oreshnik chamou atenção da comunidade internacional por se tratar de um armamento de alta complexidade e difícil interceptação.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que o disparo do míssil, ocorrido próximo às fronteiras da União Europeia e da Otan, representa uma grave ameaça à segurança do continente. Ele informou ainda que está repassando detalhes do ataque a aliados europeus e aos Estados Unidos, pedindo o aumento da pressão diplomática sobre Moscou.

O que se sabe sobre o míssil Oreshnik

O Oreshnik é um míssil balístico de alcance intermediário, desenvolvido pela Rússia, capaz de atingir alvos a até 5.500 quilômetros e alcançar velocidades de até 13 mil quilômetros por hora. Especialistas apontam que, a partir do território russo ou de Belarus, onde o sistema já foi instalado, grande parte da Europa estaria ao alcance da arma.

O sistema entrou oficialmente em operação no fim de 2025 e já havia sido utilizado de forma experimental em novembro de 2024, quando um disparo atingiu uma fábrica na cidade ucraniana de Dnipro. Embora classificado como de alcance intermediário, lançamentos anteriores ocorreram em distâncias menores, sem descartar o potencial para trajetórias mais longas.

Além disso, o Oreshnik pode transportar ogivas múltiplas, conhecidas como MIRV, permitindo que um único míssil libere entre seis e oito projéteis programados para alvos distintos na fase final do voo.

Acusações envolvendo a residência de Putin

A justificativa apresentada por Moscou remete a declarações feitas em dezembro do ano passado pelo chanceler russo, Sergei Lavrov. Ele afirmou que a Ucrânia teria tentado atacar a residência oficial de Putin, na região de Novgorod, utilizando drones de longo alcance.

Zelensky classificou essas alegações como “mentiras” e disse que a Rússia estaria usando esse argumento para dificultar avanços nas negociações de paz com os Estados Unidos. Segundo o governo ucraniano, a repetição dessa narrativa serviria para preparar o terreno para novos ataques a prédios governamentais.

As declarações russas ocorreram um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que estava próximo de apresentar um plano de paz para o conflito, apesar de reconhecer entraves, especialmente em relação ao controle territorial.

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