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Geopolítica

Acordo Mercosul–UE: um passo histórico na mesa dos embaixadores

Mais do que tarifas e fluxos comerciais, o acordo é visto como um indutor de investimentos

Acordo Mercosul–UE: um passo histórico na mesa dos embaixadores

A aprovação do Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Conselho Europeu foi recebida com entusiasmo em círculos diplomáticos e institucionais no Brasil. A avaliação é praticamente unânime: trata-se de um marco histórico no relacionamento entre os dois blocos, capaz de redefinir o papel do Brasil e da América do Sul no comércio internacional nas próximas décadas.

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No Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a notícia foi celebrada como a consolidação de uma agenda que atravessa gerações. Hoje, esse diálogo se materializa em iniciativas concretas. Para diplomatas, a aprovação do acordo sinaliza previsibilidade e segurança jurídica, elementos centrais para decisões de investimento de longo prazo.

Do ponto de vista brasileiro, o acordo amplia o acesso a um mercado considerado estratégico. Em 2025, a União Europeia se manteve como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 14,3% das exportações e 17,9% das importações. A dimensão do acordo ajuda a explicar o interesse internacional. A criação de uma zona de livre comércio que reúne cerca de 722 milhões de pessoas e um PIB agregado estimado em US$ 34 trilhões, em paridade de poder de compra, coloca o Mercosul–União Europeia entre os maiores arranjos comerciais do mundo.

Mais do que tarifas e fluxos comerciais, o acordo é visto como um indutor de investimentos e de novas cadeias produtivas. Há ainda uma leitura política clara, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e questionamentos ao multilateralismo, o entendimento entre Mercosul e União Europeia é interpretado como uma reafirmação de valores comuns.

Ao fortalecer novos eixos de comércio e cooperação, o acordo amplia também a capacidade de influência conjunta dos dois blocos na reorganização das cadeias globais de valor.