O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal um pedido para que sejam analisadas publicações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro que relacionam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao líder venezuelano Nicolás Maduro. A solicitação partiu da deputada federal Dandara Tonantzin e foi enviada nos momentos finais da gestão de Ricardo Lewandowski à frente da pasta.
Segundo o InfoMoney, a parlamentar sustenta que as mensagens divulgadas pelo senador configuram ataques à honra do chefe do Executivo. Entre os pontos citados está uma postagem em que Flávio afirma que Maduro delataria Lula, o que, na avaliação dela, teria potencial de gerar repercussões políticas graves.
A publicação mencionada ocorreu após a captura do venezuelano pelos Estados Unidos. Na avaliação da deputada, o conteúdo extrapola o debate político e atinge diretamente a reputação do presidente.
Acusações citadas no pedido
No documento encaminhado ao ministério, Dandara Tonantzin afirma que as publicações podem caracterizar crimes como calúnia, difamação e injúria. Ela também menciona que Lula e o grupo conhecido como Foro de São Paulo foram associados, nas mensagens, a práticas como tráfico internacional de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
A deputada argumenta ainda que, nesse caso, não caberia a proteção da imunidade parlamentar. Para ela, o teor das publicações não estaria ligado ao exercício regular do mandato legislativo.
Procurado, o senador não respondeu até a divulgação das informações. A Polícia Federal informou que “não confirma nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento”.
Mudança no comando do ministério
O envio do pedido ocorreu em meio à transição no Ministério da Justiça. Ricardo Lewandowski formalizou sua saída do cargo por meio de uma carta entregue ao presidente.
“Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026″, escreveu.
Com a vacância, o comando da pasta passou a ser exercido de forma interina pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto. Nos bastidores, o nome do advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, é apontado como favorito para assumir o posto. Um auxiliar do presidente afirmou que “tudo indica” que ele ficará com o cargo.

