O Governo Federal trabalha com a expectativa de que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia seja assinado nos próximos dias e passe a valer na segunda metade do ano. A avaliação foi feita pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ao comentar o estágio final das negociações.
A possível conclusão do tratado é vista como estratégica por envolver dois grandes blocos econômicos e ampliar o fluxo de comércio entre os países participantes. A previsão é que a formalização ocorra durante reunião do Mercosul, atualmente sob presidência do Paraguai.
Segundo informações do G1, Alckmin afirmou durante entrevista ao programa ‘Bom Dia, Ministro’, que, após a assinatura, o texto seguirá para aprovação nos parlamentos dos países envolvidos, incluindo o Congresso Nacional no Brasil, etapa necessária para que o acordo seja internalizado e produza efeitos legais.
Assinatura e etapas de aprovação
De acordo com o vice-presidente, a expectativa é que o documento seja firmado no próximo sábado (17). Em seguida, caberá ao Parlamento Europeu e aos países do Mercosul avaliarem o conteúdo para ratificação.
“Assina no sábado. Depois de assinado, o Parlamento Europeu aprova e nós aprovamos, internalizando o acordo. A expectativa é de aprovação ainda neste primeiro semestre, para que ele entre em vigência no segundo semestre”, declarou.
Cada país terá autonomia para conduzir seu próprio processo interno. No caso brasileiro, após a análise do Congresso, o texto precisará da sanção presidencial. A vigência pode ocorrer em datas diferentes entre os membros do Mercosul, a depender da velocidade de cada aprovação.
Impacto econômico e contexto internacional
Alckmin destacou que a parceria tende a trazer benefícios amplos, especialmente em um cenário global marcado por conflitos e barreiras comerciais. O acordo envolve um mercado estimado em cerca de 700 milhões de pessoas, o que o colocaria como a maior zona de livre comércio do mundo.
“Em um momento de instabilidade geopolítica, com guerras e protecionismo exacerbado, os dois blocos dão um exemplo ao mundo de que é possível, por meio do diálogo e da negociação, avançar no livre comércio”, afirmou.
O ministro também ressaltou que a iniciativa não prejudica outras frentes diplomáticas do Brasil. Segundo ele, o país mantém conversas comerciais com diferentes parceiros e busca ampliar relações de forma equilibrada.
“O mundo vive um momento difícil, com conflitos no Oriente Médio, Rússia, Venezuela, Irã. É um momento para o Brasil ser mais ouvido, defendemos a paz e o fortalecimento do multilateralismo. O Brasil não tem litígio com ninguém. O comércio aproxima os povos, estimula o turismo, a cultura e aproxima as nações”, concluiu.

