De acordo com a Genial/Quaest, 46% dos brasileiros avaliam de forma favorável a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro, enquanto 39% discordam da iniciativa. Outros 15% não souberam responder.
O episódio ganhou projeção internacional após o presidente norte-americano Donald Trump divulgar uma imagem do líder venezuelano já sob custódia, em 4 de janeiro de 2026. As informações são do O GLOBO.
Críticas à posição adotada por Lula
A reação do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à ofensiva americana foi considerada equivocada por 51% dos entrevistados. Já 37% avaliaram que o posicionamento do chefe do Executivo foi adequado.
Lula havia classificado a ação dos EUA como uma violação grave da soberania venezuelana e defendeu que o tema fosse tratado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU).
Impacto limitado no cenário eleitoral
Apesar da reprovação majoritária à postura do governo brasileiro, o tema não altera de forma significativa o comportamento eleitoral. Para 71% dos entrevistados, a reação de Lula diante da crise venezuelana não interfere na decisão de voto para a eleição presidencial de 2026.
Apenas 17% afirmaram que o episódio os levaria a preferir um candidato de oposição, enquanto 7% disseram que a posição do presidente reforça sua preferência atual.
O apoio à ação dos Estados Unidos varia conforme a identificação ideológica. Entre eleitores que se declaram bolsonaristas, 71% concordam com a ofensiva, índice semelhante ao observado entre a direita não bolsonarista, com 74%.
Entre simpatizantes do governo Lula, apenas 19% avaliam positivamente a operação, enquanto 62% se posicionam contra. Já entre eleitores que não se identificam com nenhum campo político, 44% apoiam a ação americana e 35% discordam.
Motivações atribuídas a Trump
Os entrevistados apresentaram diferentes interpretações sobre os objetivos do presidente dos Estados Unidos. Para 31%, a principal motivação seria o combate ao narcotráfico.
Outros 23% mencionaram a restauração da democracia na Venezuela, enquanto 21% associaram a ação ao controle das reservas de petróleo do país.
Uma parcela menor citou múltiplos fatores, e 13% não souberam responder. Metade dos brasileiros considera aceitável a interferência em outro país para prender um governante classificado como ditador. Em contrapartida, 41% rejeitam esse tipo de ação mesmo nesse cenário.
O levantamento também registrou preocupação com possíveis precedentes: 58% dos entrevistados disseram temer que os Estados Unidos possam adotar atitude semelhante em relação ao Brasil no futuro.
A pesquisa diz ainda que 66% defendem que o Brasil adote neutralidade diante da ofensiva americana na Venezuela. Outros 18% avaliam que o país deveria apoiar Washington, enquanto 10% defendem oposição aberta às ações dos EUA.
Contexto diplomático após a captura de Maduro
Como apurado pelo O Brasilianista, a crise entrou em nova fase com movimentos diplomáticos em Washington. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decidiu enviar um representante aos Estados Unidos para reabrir canais políticos após a mudança de poder em Caracas.
O emissário escolhido foi Félix Plasencia, chefe da missão da embaixada venezuelana no Reino Unido. Às vésperas da viagem, o governo interino libertou ao menos quatro cidadãos americanos detidos no país.
Um dos eixos centrais da estratégia americana após a captura de Maduro envolve o setor petrolífero venezuelano. O país possui cerca de 300 bilhões de barris de petróleo, volume superior ao da Arábia Saudita.
Trump declarou que pretende ampliar a participação de empresas norte-americanas na exploração e comercialização do petróleo venezuelano, sob o argumento de direcionar parte da receita para benefícios à população local e reduzir a influência de Rússia e China na região.

