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Política

Lula orienta Ministro da Justiça a priorizar segurança e condiciona novo ministério a recursos

O presidente definiu diretrizes iniciais ao novo titular da pasta e deixou claro que mudanças estruturais só avançam com base legal

Lula orienta Ministro da Justiça a priorizar segurança e condiciona novo ministério a recursos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a segurança pública seja tratada como prioridade pelo novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. A orientação foi dada antes mesmo do anúncio oficial do advogado para o cargo e inclui uma condição central: qualquer avanço na criação de uma estrutura específica para a área depende de respaldo jurídico e disponibilidade financeira, segundo a Folha de S. Paulo.

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A avaliação do Palácio do Planalto é que a reorganização administrativa não pode ser apenas formal. Lula indicou que um eventual desmembramento do Ministério da Justiça só deve ocorrer se houver meios reais para funcionamento e entrega de resultados. A leitura é de que não basta aprovar uma proposta no Congresso sem garantir sustentação orçamentária.

O presidente também orientou o novo ministro a utilizar instrumentos legais já existentes para ampliar a eficiência da área, com foco em melhor uso de recursos e aquisição de equipamentos. A diretriz inclui preparar o terreno para um possível novo desenho institucional, desde que viável.

Discussão sobre orçamento fora do teto

Entre as alternativas em análise no governo está a possibilidade de retirar parte dos gastos com segurança pública das limitações fiscais. A ideia segue modelo semelhante ao aplicado à Defesa Nacional, que obteve autorização para despesas estratégicas fora do teto.

Em novembro, o Congresso aprovou uma medida que permite excluir até R$ 5 bilhões em investimentos da Defesa do cálculo do teto de gastos e da meta de resultado primário. Dentro do Executivo, há interlocutores que defendem negociação semelhante para garantir fôlego financeiro à área de segurança.

A avaliação interna é que, sem um orçamento protegido, a criação de uma nova pasta teria efeito limitado. O entendimento é que a estrutura não pode existir apenas no papel.

Transição e primeiros encontros

A posse de Wellington Lima e Silva está prevista para ocorrer até sexta-feira. Apesar disso, o processo de transição já começou. O futuro ministro esteve na sede do ministério e iniciou reuniões para se inteirar da situação da pasta.

Ele se encontrou com o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, além dos diretores-gerais da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Polícia Rodoviária Federal, Fernando Oliveira. Os encontros tiveram caráter de alinhamento e indicam tendência de continuidade nas chefias das corporações.

A agenda inclui reuniões com outros secretários e o recebimento de relatórios detalhados sobre cada área. O objetivo é mapear prioridades e gargalos antes das primeiras decisões administrativas.

Montagem da equipe e visão sobre segurança

Pessoas próximas ao novo ministro relatam que ele recebeu liberdade para formar sua equipe, embora a expectativa seja de manutenção de parte do quadro atual, com mudanças pontuais em postos estratégicos. Entre eles está o cargo de secretário-executivo, para o qual se busca um nome com projeção pública.

Em passagens anteriores por cargos de comando, Lima e Silva defendeu atuação integrada e coordenação entre instituições como eixo central do combate ao crime, que classificou como a “pedra de toque” de uma política eficaz. Ele também destacou a necessidade de preparar o Estado para crimes cibernéticos e de qualificar ações contra delitos tributários.

O ministro já se posicionou sobre a atuação da polícia judiciária, ao afirmar que a investigação deve ser conduzida pela polícia, mas com apoio de outras instituições, sem que haja “plena hegemonia” de um único órgão.

Desafios políticos e histórico recente

À frente do ministério, Lima e Silva terá de lidar com temas sensíveis no Congresso, como a PEC da Segurança e o projeto antifacção, além do aumento da exposição pública do tema em ano eleitoral. A segurança tende a ocupar espaço central no debate político.

Antes da nomeação, ele comandava o departamento jurídico da Petrobras, indicação feita pelo próprio presidente. O novo ministro também já ocupou a chefia da pasta em 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, mas permaneceu apenas 14 dias no cargo, após decisão do STF que vetou a atuação de integrantes do Ministério Público no Executivo.

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