A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o Banco Master usou uma “rede de entidades conectadas entre si” para desviar recursos para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro e seus familiares. As afirmações foram enviadas pela PGR ao Supremo Tribunal Federal num parecer que chancelou a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (14).
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o esquema utilizava vínculos societários, familiares e funcionais para operar e conseguiu desviar R$ 5,7 bilhões.
O parecer da PGR corroborou a tese da Polícia Federal, de que houve um “aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”, ao mencionar o uso estratégico de fundos de investimento para mascarar a destinação do dinheiro.
O esquema, diz a PGR, funcionava com o Banco Master captando recursos via CDBs e os direcionando a fundos dos quais era o único cotista. Posteriormente, esses fundos adquiriam notas comerciais de empresas de fachada ligadas aos sócios.
A PGR menciona também operações que beneficiaram o pai e a irmã do dono do Master, Henrique e Natália Vorcaro, além das informações do Banco Central sobre o apoio da gestora Reag para estruturar fundos e realizar operações que inflaram artificialmente os ativos do Master.
Gonet ainda citou o fato de Nelson Tanure ser apontado como suposto “sócio oculto” do Master e por ter sido beneficiário de papéis que concentravam quase a totalidade da carteira de um dos fundos investigados.
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade e afirma que o banqueiro está colaborando com a Justiça. A defesa de Henrique Vorcaro declarou que ele não possui envolvimento em operações irregulares e desconhece os fatos mencionados pela investigação. Nelson Tanure também negou todas as acusações.
Fundos paulistas
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) como “açodada” e irregular a decisão do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) de investir R$ 87 milhões no Banco Master. As informações também foram divulgadas pelo Estadão.
Segundo parecer anexado a um processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, a operação ocorreu sem estudos técnicos adequados e ignorou alertas sobre a saúde financeira do Master. As investigações mostram que o instituto levou seis dias para deliberar e executar a retirada de fundos da Caixa Econômica Federal aplica-los em letras financeiras do Master.
O MP destaca ainda que as aplicações foram feitas entre outubro de 2023 e março de 2024, período em que o Banco Master e seus controladores já eram investigados pela PF. Mas o caso de Cajamar não é isolado.
O Ministério Público de Contas de São Paulo investiga outros quatro institutos municipais pelos mesmos motivos. Ao todo, estima-se que 18 fundos de pensão estaduais e municipais tenham aplicado R$ 1,8 bilhão em títulos do Banco Master.
O Brasilianista já mostrou que o Banco Master é investigado por suspeita de vender títulos podres, inclusive ao BRB, e camuflar um rombo de R$ 12 bilhões com manobras contábeis envolvendo fundos públicos de pensionistas.

