O empresário Nelson Tanure divulgou uma nota pública nesta quinta-feira para rebater informações que o associam a irregularidades investigadas no âmbito do Banco Master. O posicionamento ocorre um dia após ele ter sido alvo de uma abordagem da Polícia Federal autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Veja, Tanure teve um telefone celular apreendido na manhã de quarta-feira, enquanto tentava embarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Curitiba. A diligência fez parte de apurações que envolvem o banco controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Na nota, o empresário afirma que colaborou com a ordem judicial e contesta versões divulgadas após o episódio. Ele sustenta que não possui relação de controle ou sociedade com a instituição financeira investigada.
Busca autorizada pelo STF
Tanure relata que foi informado de um pedido de busca pessoal expedido pelo Supremo e que atendeu à determinação sem resistência. No texto, descreve surpresa com a situação e afirma que a repercussão do caso teria sido ampliada por informações que considera incorretas.
“Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido. Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira. A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação”, inicia a nota.
Negativa de vínculo com o Banco Master
O empresário dedica parte da nota a afastar qualquer ligação societária com o banco. Ele afirma que nunca foi controlador nem sócio, em nenhuma modalidade, e que sua relação com a instituição se limitou a operações comerciais regulares.
Tanure também afirma que não participou da gestão do banco nem teve conhecimento de operações internas ou de relações com outras instituições ou agentes.
Na sequência, o empresário sustenta que os recursos utilizados em investimentos têm origem exclusiva em sua trajetória empresarial e que eventuais perdas fazem parte do risco do mercado financeiro. Ele também afirma que vinha reduzindo gradualmente sua exposição à instituição antes do encerramento das atividades.
Leia na íntegra:
“Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido. Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira. A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.
Diante disso, em respeito à minha história e à de todos que dela participam, quero deixar uma mensagem aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócio comigo ou com empresas das quais participo.
1. NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes.
2. Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes.
3. Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília.
4. Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado.
5. Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.
Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta. Tenho fé, e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos.
Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil.
Nelson Tanure. Empresário e Investidor”

