Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o Acordo Mercosul–União Europeiarepresenta um salto significativo na inserção internacional do Brasil. Atualmente, os acordos comerciais do país cobrem apenas 8% das importações mundiais. Com a entrada em vigor do tratado com a UE, esse percentual pode alcançar 36%, considerando o peso do bloco europeu no comércio global em 2024.
A avaliação foi divulgada neste sábado (17), após a assinatura do acordo em Assunção, no Paraguai, e classifica o pacto como um divisor de águas para a indústria nacional. Segundo a CNI, mais de 54% dos produtos negociados — cerca de cinco mil itens — terão tarifa zerada para entrada imediata no mercado europeu. Em contrapartida, o Brasil contará com prazos mais extensos para reduzir tarifas de parte relevante das importações, garantindo uma transição gradual.
Mais tempo de adaptação e ganhos para a indústria
De acordo com a análise, o Brasil terá, em média, até oito anos adicionais para se adequar à redução tarifária em relação à União Europeia. Cerca de 44% dos produtos importados do bloco europeu terão tarifas eliminadas apenas entre 10 e 15 anos após a vigência do acordo, o que reduz impactos sobre a indústria nacional.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento é estratégico. Ele afirma que o tratado amplia o acesso ao mercado europeu, preserva a competitividade da indústria brasileira e estimula avanços na agenda de produtividade e inovação.
Empregos, investimentos e cooperação tecnológica
Na prática, 82,7% das exportações brasileiras para a UE passarão a entrar sem tarifa desde o início do acordo. O impacto econômico é relevante: a cada R$ 1 bilhão exportado ao bloco europeu, foram gerados quase 22 mil empregos em 2024.
Além do comércio, o acordo abre espaço para maior cooperação tecnológica e atração de investimentos europeus, especialmente em áreas como descarbonização industrial, inovação e modernização do parque fabril. A União Europeia segue como principal investidor estrangeiro no Brasil, reforçando o papel estratégico da parceria para o desenvolvimento econômico de longo prazo.

