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Geopolítica

Por que líderes mundiais veem riscos no Conselho da Paz anunciado por Donald Trump?

A proposta norte-americana para criar um novo órgão internacional concentra poder e impõe custos elevados aos participantes

Por que líderes mundiais veem riscos no Conselho da Paz anunciado por Donald Trump?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma ofensiva diplomática ao convidar representantes de cerca de 60 países para integrar um novo órgão internacional chamado Conselho da Paz. A proposta, apresentada como uma alternativa para lidar com conflitos globais, provocou reação imediata de cautela e desconfiança em governos e organismos multilaterais.

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A iniciativa prevê que o grupo atue inicialmente na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, com possibilidade de ampliar sua atuação para outros cenários de instabilidade. O Brasil está entre os países convidados, mas ainda não deu resposta oficial.

Segundo informações do G1, o desenho institucional do conselho concentra poderes de forma inédita. O estatuto estabelece Trump como presidente vitalício da estrutura e determina que países interessados em assentos permanentes façam uma contribuição de US$ 1 bilhão, valor que seria administrado diretamente pelo próprio presidente norte-americano.

A proposta já recebeu adesão de Argentina, Hungria e Marrocos, enquanto outras nações avaliam os impactos políticos e diplomáticos da decisão.

Receio de enfraquecimento da ONU

Diplomatas europeus ouvidos pela Reuters afirmaram que o envio das cartas gerou preocupação imediata sobre o papel futuro da Organização das Nações Unidas. A avaliação é de que o novo órgão possa esvaziar a autoridade e a legitimidade do sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial.

“É uma ‘Nações Unidas de Trump’ que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU”, afirmou um diplomata à agência.

Dentro da própria ONU, o tema é tratado com cautela. Um alto funcionário da organização evitou comentar diretamente a proposta, mas reforçou que a entidade é a única com base moral e legal para reunir todos os países em pé de igualdade.

“E se questionarmos isso… retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”, disse Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, em entrevista à Sky News.

Críticas sobre concentração de poder

Especialistas também apontam fragilidades no formato do conselho. Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, a estrutura concentra poder excessivo em uma única liderança e carece de mecanismos claros de controle e transparência.

“O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria influência decisiva e poder de veto sobre o funcionamento do órgão”, afirmou. “Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”

Stuenkel também destaca dúvidas sobre conflitos de interesse, já que Trump indicou o genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff para integrar a estrutura. Ambos possuem interesses empresariais ligados à região de Gaza, o que amplia as críticas sobre a condução do projeto.

Enquanto a proposta avança no campo político, a ONU segue alertando que a situação humanitária em Gaza permanece grave, independentemente da criação de novos fóruns internacionais.

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