O fundo de investimentos Hans 95, administrado pela gestora Reag, apresentou um desempenho extremamente acima da média logo no início de suas operações. Em 2019, primeiro ano de funcionamento, a rentabilidade acumulada ultrapassou 7 milhões por cento, índice que chamou a atenção de órgãos de controle e investigadores, segundo O Globo.
O Hans 95 integra o conjunto de estruturas financeiras analisadas pelas autoridades no contexto das apurações que envolvem a gestora Reag e o Banco Master. As investigações apontam o uso desses veículos para operações consideradas suspeitas, ainda em análise pelos órgãos federais.
Desempenho fora do padrão no primeiro ano
As demonstrações financeiras do fundo mostram que, em 2019, o retorno acumulado chegou a 7.074.177,73%. No mesmo período, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, teve valorização de 31,58%, o melhor resultado entre os principais investimentos daquele ano.
Após esse pico inicial, os ganhos do Hans 95 passaram a níveis mais próximos do mercado. Em 2020, a rentabilidade foi de 29,57%. Já em 2021, o fundo registrou retorno de 95,76%, ainda elevado, mas distante do resultado extraordinário do primeiro ano.
Auditoria levanta restrições sobre os números
Nas demonstrações referentes a 2021, que são as mais recentes disponíveis, auditores independentes informaram que não conseguiram emitir uma conclusão sobre os dados apresentados. O motivo alegado foi a ausência de evidências suficientes para comprovar parte das informações financeiras.
Mesmo com essas ressalvas, o fundo mantém patrimônio expressivo. Dados mais recentes da Comissão de Valores Mobiliários indicam que o Hans 95 concentra cerca de R$ 35 bilhões em ativos.
Apurações criminais e posicionamentos
O Hans 95 também foi incluído entre os alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga a relação do PCC com diferentes setores da economia e do sistema financeiro. Em agosto do ano passado, o endereço ligado ao fundo passou por ação de busca e apreensão conduzida pela polícia.
Procurada, a gestora Reag não comentou o assunto. Já a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master não administra o fundo e não participa das decisões de investimento.

