A decisão da Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI) de abrir consulta pública sobre o uso do Diálogo Competitivo como modelo de licitação adiciona um novo ponto de atenção ao radar do setor financeiro. Previsto na nova Lei de Licitações, o instrumento permite ao poder público dialogar com o mercado antes da fase final do certame, um movimento que, na prática, pode reduzir riscos, aumentar previsibilidade e elevar a atratividade de projetos de maior complexidade.
Para investidores, bancos, gestores de fundos e estruturadores de projetos, a iniciativa sinaliza uma tentativa clara do governo paulista de sofisticar ainda mais sua agenda de parcerias. O objetivo da consulta não é alterar projetos em andamento nem substituir os modelos já consolidados, mas avaliar a incorporação de uma ferramenta adicional à caixa de instrumentos do estado.
Do ponto de vista financeiro, o modelo tende a atacar um dos principais gargalos de projetos de infraestrutura no Brasil: a assimetria de informação na fase inicial. Ao permitir que potenciais interessados participem de um diálogo técnico estruturado antes da entrega das propostas finais, o poder público pode calibrar melhor riscos, matriz de responsabilidades, mecanismos de remuneração e garantias.

