A troca pública de críticas entre Donald Trump e Emmanuel Macron expôs um novo capítulo da crise internacional envolvendo a Groenlândia. O embate ganhou força após declarações, mensagens vazadas e reações em eventos oficiais, ampliando o desgaste entre Estados Unidos e países europeus, segundo o G1.
A polêmica gira em torno do interesse do presidente norte-americano pelo território ligado à Dinamarca. Trump voltou a defender que a ilha esteja sob controle dos Estados Unidos por razões de segurança nacional e afirmou não descartar ações mais duras.
O governo local da Groenlândia, que possui autonomia e autorização para discutir independência, rejeita qualquer associação com Washington. Diante da escalada do discurso, o primeiro-ministro da ilha afirmou que a população deve se preparar para cenários extremos.
Interesses estratégicos e reação europeia
As tensões aumentaram após Trump anunciar uma tarifa de 10% contra oito países europeus que se opuseram à proposta de compra do território. A medida atingiu Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Em resposta, Macron classificou as ameaças como inaceitáveis e defendeu uma reação coordenada do bloco europeu. A União Europeia realizou uma reunião emergencial e discutiu o uso de um instrumento de pressão comercial que permite elevar tarifas e restringir investimentos e serviços ligados aos Estados Unidos.
A reação de Trump veio com o vazamento de uma mensagem privada enviada por Macron, na qual o francês questiona a postura americana. “Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu Macron. “Posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos, em Paris, na quinta-feira à tarde. Posso convidar ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos à margem”.
Davos vira palco do confronto diplomático
Horas depois, durante o Fórum Econômico Mundial, Macron criticou práticas de força entre países e afirmou que “não é momento para imperialismos e colonialismos”. Sem citar diretamente Trump, o francês condenou o que chamou de bullying internacional.
“Preferimos o respeito aos valentões. Preferimos a ciência às teorias da conspiração e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, afirmou.
Trump respondeu em Washington, disse que não participará da reunião sugerida por Macron e afirmou que os Estados Unidos terão encontros específicos sobre a Groenlândia em Davos. Questionado sobre até onde pretende ir para garantir o controle do território, declarou: “Vocês vão descobrir”.
Impactos na Otan e cenário de incerteza
A disputa também atingiu a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Autoridades europeias passaram a discutir a redução da dependência militar dos Estados Unidos, enquanto a Dinamarca alertou que um eventual ataque à ilha significaria o fim da aliança.
Reportagem do The Washington Post revelou que o Departamento de Defesa americano estuda reduzir a participação dos EUA em estruturas da Otan, incluindo grupos consultivos e centros de treinamento. Trump, por sua vez, afirmou que fez mais pela aliança do que qualquer outro líder.
“Ninguém fez mais pela Otan. Acho que a maioria das pessoas diria isso. Você poderia perguntar ao secretário-geral, mas já dissemos isso. Fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa e vejo tudo isso. A Otan precisa nos tratar com justiça”, afirmou.

