Em um intervalo de menos de três meses, o Banco Central (BC) liquidou extrajudicialmente seis instituições financeiras ligadas ao caso da fraude bilionária do Banco Master. Com uma quantidade de bancos considerável em cancelamento de operações, é comum ficar na dúvida se o Sistema Financeiro Nacional (SFN) é impactado negativamente.
Vale destacar que a liquidação impede que a instituição siga operando, cancelando sua participação no SFN. Essa interrupção é permitida caso uma empresa financeira cometa graves infrações ao regulamento que determina suas atividades, ou em caso de incapacidade de cumprir com com as obrigações financeiras.
Para economistas ouvidos pelo InfoMoney, o BC está vigilante, mas o sistema financeiro do Brasil é sólido o suficiente para sustentar a interrupção das operações.
Além disso, as instituições liquidadas fazem parte de um mesmo grupo operacional. Na prática, isso significa um mesmo cancelamento separado em etapas. Entre uma liquidação e outra, o BC pode avaliar vender os bancos ou parte das operações para arrefecer os impactos. Nesse caso, os especialistas indicaram que não está acontecendo um colapso do sistema.
Entretanto, eles explicaram que o BC está mais atuante e rigoroso neste momento, visto que a abertura do mercado para as fintechs aumentou os golpes e fraudes do sistema.
As liquidações reafirmam o papel da autoridade monetária como “xerife” do mercado, evitando a formação de riscos.
Entenda as liquidações do caso Master
O Banco Master é investigado por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões realizada por meio de vendas de títulos financeiros e cartas de crédito sem lastro, além de pedidos de aumento de capital sem fundamento com o lucro das empresas.
Na última quarta-feira (21), o BC realizou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A.. O banco digital já estava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), enquanto o BC analisava possíveis interessados na aquisição do Will Bank, o que poderia aliviar o rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
No entanto, a liquidação se deu pelo descumprimento da grade de pagamentos com a bandeira Mastercard, resultando no bloqueio imediato de sua participação no arranjo de pagamentos.
Um dos controladores da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele é investigado por gerar uma fraude bilionária a partir da emissão de créditos de investimento falsos.

