Análises citadas pela emissora NBC News indicam que uma eventual aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos poderia alcançar cerca de US$ 700 bilhões, o equivalente a R$ 3,7 trilhões.
A estimativa foi atribuída a especialistas e ex-integrantes do governo americano, embora a metodologia utilizada não tenha sido detalhada.
Outras avaliações trabalham com valores bem inferiores. Um ex-economista do Federal Reserve (Fed), ouvido pelo New York Times, comparou compras territoriais feitas no passado, ajustadas pela inflação e pelo crescimento econômico dos países envolvidos.
Nesse cenário, o custo variaria entre US$ 12 bilhões e US$ 77 bilhões. As informações são do G1.
Em suas redes socais, Trump fez uma montagem de IA mostrando ele fincando a bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia.
Histórico de tentativas e rejeições
De acordo com o portal G1, a ideia de compra não é inédita. Em 1867, Washington adquiriu o Alasca da Rússia, movimento frequentemente citado como precedente histórico.
Já no século XX, os Estados Unidos apresentaram uma proposta de US$ 100 milhões pela Groenlândia, recusada pelas autoridades locais.
Atualmente, o território mantém status autônomo, mas segue sob soberania da Dinamarca. O governo local e a população reiteram que a ilha não está à venda.
População e alternativas de cálculo
Uma das hipóteses levantadas em estudos recentes considera a oferta direta de recursos financeiros aos cerca de 57 mil habitantes da Groenlândia, como forma de obter apoio político para uma eventual separação da Dinamarca e adesão aos Estados Unidos.
Nessa lógica, o peso econômico dos recursos naturais seria reduzido na conta final. Esse tipo de abordagem, no entanto, enfrenta forte resistência política e jurídica no continente europeu.
O pesquisador sênior da Universidade do Quebec, Mikaa Blugeon-Mered, especialista no papel dos polos na transição energética, pondera que a exploração desses recursos enfrenta limitações práticas.
“Tem hidrocarbonetos por todo o lado no Ártico. Mas até hoje, na Groenlândia, nunca se conseguiu encontrar uma reserva comercialmente explorável, ou seja, um lugar no gelo, na terra ou no mar onde os recursos estejam tão concentrados que valha a pena explorar”, afirma.
Valor estratégico do subsolo
A Groenlândia concentra algumas das maiores reservas conhecidas de terras raras e minerais críticos, insumos considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética.
Dados internacionais indicam que o Ártico abriga cerca de 30% das reservas globais de gás natural e 13% das de petróleo.
Os minérios representam outra questão. Cerca de 80% da superfície da Groenlândia permanece coberta por gelo, o que exige investimentos elevados para qualquer atividade mineral ou energética. Esse cenário levanta dúvidas sobre a viabilidade financeira de projetos em larga escala.
Segundo Quebec, a busca por minerais como terras raras, urânio e molibdênio também se relaciona ao projeto de autonomia econômica do território. “Dos 50 metais críticos considerados prioritários pelo governo americano, 44 estariam presentes na Groenlândia em quantidades suficientemente satisfatórias para interessar os Estados Unidos.”
Atualmente, apenas duas minas operam de forma ativa na ilha, o que reforça a dificuldade de transformar o potencial geológico em retorno econômico imediato.
Outro fator central nas projeções americanas envolve a presença crescente da China na região. Segundo Blugeon-Mered, empresas chinesas buscam licenças, participação em minas e controle da cadeia produtiva de minerais estratégicos.
Interesses políticos e tecnológicos
Como divulgado pelo O Brasilianista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21), durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que apenas os EUA teriam capacidade de garantir a segurança da Groenlândia.
Ursula von der Leyen, que classificou as tarifas anunciadas pelos EUA como “erro estratégico”, afirmou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e defendeu estabilidade baseada em cooperação entre aliados, enquanto a União Europeia avalia acionar seu mecanismo comercial de dissuasão.

