O presidente Donald Trump apresentou na última quinta-feira (22), em Davos, o logotipo do Conselho de Paz criado para a reconstrução e desmilitarização da Faixa de Gaza. O símbolo traz um escudo com um globo terrestre cercado por dois ramos de oliveira, elementos associados à diplomacia e à busca por estabilidade internacional.
A imagem chamou atenção por posicionar a América do Norte no centro do globo. A escolha visual foi interpretada como um sinal de protagonismo dos Estados Unidos na iniciativa e gerou questionamentos sobre o alcance real do comitê no cenário global.
O anúncio ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial e integra uma estratégia mais ampla de política externa do governo Trump. As informações são da CNN Brasil.
Símbolo e discurso indicam estratégia internacional
O emblema apresentado lembra o da Organização das Nações Unidas, que exibe todos os continentes de forma equilibrada. No caso do Conselho de Paz, a centralidade da América do Norte foi vista como um contraste direto com o modelo multilateral tradicional.
Dias antes, Trump havia afirmado que o Conselho “poderia substituir a ONU”. Já em Davos, adotou um tom diferente ao dizer que “trabalhará com muitos outros, incluindo as Nações Unidas”, acrescentando que a “ONU tem enorme potencial, mas não o utiliza”.
A mudança de discurso não dissipou o ceticismo entre líderes e analistas. Para críticos, a simbologia escolhida e as declarações reforçam dúvidas sobre a neutralidade e a abrangência do projeto.
Apoios seletivos e ausência de aliados tradicionais
Na apresentação do Conselho, Trump dividiu o palco com líderes como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Argentina, Javier Milei. Em contraste, representantes de aliados históricos dos Estados Unidos, como Reino Unido, França e Alemanha, não participaram do evento.
Segundo a Casa Branca, cerca de 50 países receberam convite para integrar o comitê, com adesão confirmada de aproximadamente 35 até agora. Noruega, Suécia, Eslovênia e França já informaram que não pretendem participar.
O Brasil está entre os convidados. Trump declarou esperar que o presidente Lula tenha “um papel importante” no Conselho de Paz de Gaza e disse que “gosta dele”. No governo brasileiro, a avaliação é cautelosa, com preocupação sobre a ausência de representantes palestinos e a composição geral do grupo.
Israel anunciou adesão, mas não enviou autoridades à apresentação em Davos. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a formação do Conselho não foi coordenada com o país e contradiz sua política, especialmente diante do envolvimento turco citado nos bastidores diplomáticos.

