Flávio Bolsonaro deu um passo relevante na tentativa de fortalecer sua presença eleitoral no Nordeste ao receber o apoio formal do senador Rogério Marinho. A movimentação ocorre em um momento em que o parlamentar aparece com índices ainda modestos na região, mas busca ampliar seu alcance político.
Segundo o G1, Rogério Marinho, que é líder da oposição no Senado e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, decidiu deixar de lado o projeto de disputar o governo do Rio Grande do Norte para se dedicar à construção da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A mudança de rota foi feita após um pedido direto do ex-presidente.
A decisão altera o cenário político no estado, hoje administrado pelo PT, onde Marinho era considerado o principal nome do PL para a disputa local. Com a desistência, ele declarou apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, pelo Republicanos.
Mudança de planos no PL
Ao anunciar publicamente sua escolha, Rogério Marinho relatou o impacto pessoal da decisão e explicou que atendeu a um apelo familiar e político. “Há alguns dias eu tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar, mas eu não posso negar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso”, afirmou.
Marinho é visto como um dos principais representantes do bolsonarismo no Congresso. Ele foi eleito senador em 2022 e, no ano seguinte, disputou a presidência do Senado, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco. Mesmo fora da corrida estadual, seguirá atuando como articulador político nacional.
O senador também recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para visitar Jair Bolsonaro na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília, no dia 4 de fevereiro.
Reação e cenário eleitoral
Flávio Bolsonaro agradeceu o apoio de forma pública e destacou a trajetória do aliado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, descreveu Marinho como “um dos principais, mais preparados e mais competentes” nomes da política nacional.
Na mesma gravação, o senador ressaltou a importância da escolha feita pelo colega. “Eu sei que vocês estão aí com o coração um pouco apertado pela decisão que ele tomou, mas tenho a consciência e a certeza de que ele está fazendo a escolha pelo Brasil”, disse Flávio. “Vamos fazer um trabalho fenomenal por todo o país, e o Rio Grande do Norte será ainda mais contemplado com o Rogério Marinho integrando esse grande time que eu pretendo montar”, continuou.
Pesquisas recentes indicam que Flávio Bolsonaro registra entre 12% e 18% das intenções de voto no Nordeste, a depender do cenário analisado. Os levantamentos simulam diferentes combinações de candidatos no primeiro turno e mostram vantagem consistente do presidente Lula na região.
O melhor desempenho de Flávio aparece em uma simulação com Lula, Romeu Zema, Aldo Rebelo e Renan Santos, quando alcança 18%. No cenário mais desfavorável, o índice cai para 12%. Quando concorre com vários nomes da direita, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Zema, o senador marca 13%.
O Nordeste segue como o principal reduto eleitoral do PT. Nas eleições presidenciais de 2018 e 2022, a região foi decisiva para as vitórias do partido. Em ambos os pleitos, os candidatos petistas obtiveram cerca de 70% dos votos locais, margem que compensou desempenhos mais equilibrados em outras partes do país.

