Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou na última sexta-feira (23), em entrevista que o país quer ter soberania sobre algumas áreas da Groenlândia onde estão instaladas bases militares americanas.
Segundo o New York Post, o presidente norte-americano tem conversas em andamento sobre o assunto. “Teremos tudo o que queremos. Temos algumas conversas interessantes em andamento.”
O jornal ouviu de uma fonte que uma das opções em análise é um modelo como o acordo de “área de base soberana” adotado no Chipre, que trata algumas bases do exército britânicas como território do Reino Unido.
O New York Post também diz que há meses Trump pressiona a Dinamarca e aliados da União Europeia para ter o controle sobre a ilha. No fim da semana passada, Trump amenizou o tom ao falar sobre um possível uso da força na Groenlândia, território autônomo dinamarquês.
Entenda o interesse de Trump pela Groenlândia
A Casa Branca já havia informado que Donald Trump estava avaliando diversas possibilidades para ter a Groenlândia sob seu domínio. O texto apresentado diz que o presidente não descartou o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos para alcançar seu objetivo.
Como mostrado pelo O Brasilianista, após um período sem citar a Groenlândia, Trump voltou a fazer ameaças ao território, impulsionado pelo que considerou o sucesso da apreensão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, criticou os planos de Trump. Já a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que a população groenlandesa é contrária a qualquer tentativa de anexação pelos Estados Unidos.
A Groenlândia fica localizada entre a Rússia e os Estados Unidos. Há décadas como peça-chave para a segurança do Ártico. Apesar de os EUA manterem uma base militar na ilha, a presença americana encolheu: eram cerca de 10 mil militares na Guerra Fria, hoje, são menos de 200.
Segundo o G1, a posição da Groenlândia está na rota mais curta de um possível ataque de mísseis balísticos russos contra os EUA. Por isso é uma área estratégica para abrigar bases de interceptação ligadas ao Domo de Ouro.
A ilha também fica na lacuna GIUK, corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido que conecta o Ártico ao Atlântico e próxima a rotas marítimas estratégicas.
Ainda segundo o portal, com o derretimento do gelo no Ártico, novas rotas de navegação encurtam o trajeto entre a Ásia e a Europa. Os EUA tem uma estratégia para instalar radares terrestres e marítimos na Groenlândia para reforçar a vigilância sobre a região, usada por navios chineses e russos.
Além do peso militar, a ilha tem reservas ainda inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e terras raras, insumos estratégicos para energia limpa e tecnologias de defesa.
Trump e o Domo de Ouro
O Golden Dome (Domo de Ouro) é um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel. O G1 destaca que o projeto foi anunciado por Donald Trump em maio do ano passado e está em desenvolvimento pelo Pentágono. Ele é avaliado em US$ 175 bilhões.
O plano prevê que o sistema esteja pronto até 2029, o último ano do atual mandato presidencial. Logo após tomar posse, em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para dar continuidade à iniciativa.
O governo justifica o projeto com base em possíveis ameaças de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro contra os Estados Unidos, além da adoção da estratégia de “paz pela força”.
O Domo de Ouro foi projetado para detectar e interceptar mísseis em todas as fases de um ataque.
Em agosto, ao apresentar o Domo de Ouro a cerca de 3 mil empreiteiros do setor de defesa em Huntsville, no Alabama, o Pentágono afirmou que o projeto continua em fase inicial.
O G1 destaca que, segundo o órgão, o encontro serviu para coletar informações que ajudem a definir os próximos passos da iniciativa.

