O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta segunda-feira (26) os depoimentos do inquérito que investiga as fraudes do Banco Master. Serão oito oitivas entre hoje e esta terça (27), segundo a CNN.
Vale lembrar que o prazo para os depoimentos foi encurtado pelo relator do caso, ministro Dias Toffoli, o que causou certa reação da Polícia Federal (PF), que havia solicitado mais tempo para analisar os investigados.
O Banco Master é investigado por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões realizada por meio de vendas de títulos financeiros e cartas de crédito sem lastro, além de pedidos de aumento de capital sem fundamento com o lucro das empresas.
O que aconteceu com o Banco Master? Relembre
O caso tomou forte repercussão após a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, a fim de cobrir uma possível falência do banco privado.
No entanto, a investigação do Banco Central (BC) em relação à fraude do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro começou ainda no ano passado. As suspeitas levaram à prisão do presidente do banco em novembro.
Segundo o Uol, Vorcaro comprou a participação no banco em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.
A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos. No entanto, conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Funcionava assim: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.
Empresas como o banco BTG tentaram comprar o Master para evitar a falência, mas os negócios não seguiram. Em análise do BTG, foi concluído que mais de 80% do dinheiro do banco de Vorcaro estava alocado em investimentos de risco.
O BC ficou de olho após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Em seguida, o BRB tentou comprar mais da metade do capital social do Master para evitar uma falência, no entanto a tentativa foi recusada pelo Banco Central.
Já em novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.
As investigações, que estavam em um tribunal de primeira instância, passaram ao ministro do STF, Dias Toffoli, após um pedido de uma das pessoas envolvidas no caso. As apurações seguem em sigilo e sob a relatoria do magistrado, o que causa questionamentos sobre sua conduta.

