O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou em dezembro de 2025 que pretendia deixar a pasta para colaborar na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Haddad disse que deve permanecer no cargo até fevereiro de 2026, segundo o G1, para permitir ajustes no orçamento do próximo ano e concluir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.
Não foi citado sucessores, mas Haddad tem confiança na equipe, principalmente no secretário-executivo Dario Durigan. Na época, o ministro também afirmou que o presidente Lula respeita a decisão.
O que significa a saída de Haddad?
Especialistas destacam que a saída de Haddad ocorre em um cenário de desafios fiscais, com crescimento das despesas públicas e incertezas sobre regras tributárias, que pressionam o orçamento e impactam a economia.
Mesmo com meses isolados de superávit, o resultado acumulado nos primeiros oito meses de 2025 foi negativo em R$ 86,1 bilhões, com despesas superiores às receitas, como mostra a pasta.
Para os próximos anos, as projeções do mercado econômico apontam déficit primário do setor público consolidado em torno de 0,5% do PIB em 2025 e 0,6% do PIB em 2026, segundo o relatório Focus do Banco Central mostrado pela CNN.
A própria estruturação do orçamento confirma essa análise
Projeções fiscais oficiais para 2026 levantam dúvidas sobre a possibilidade de superávit estrutural, com parte dos indicadores dependendo de excludentes como o tratamento de precatórios, o que pode suavizar o resultado quando se comparam compromissos reais do Estado.
No plano externo, dados do Banco Central mostram que o déficit em transações correntes , que reúne balança comercial, serviços e renda, acumulou nos 12 meses até maio de 2025 cerca de US$ 69,4 bilhões, equivalente a 3,26% do Produto Interno Bruto (PIB), contra US$ 29,4 bilhões no mesmo período de 2024.
O superávit da balança comercial de bens foi superavitário, mas as importações cresceram em ritmo mais acelerado do que as exportações, o que pressionou o saldo externo.
Estimativas oficiais do Banco Central indicam que as transações correntes brasileiras fecharam 2025 com déficit de cerca de US$ 68,8 bilhões, equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior resultado em mais de uma década , e permanecem pressionadas pela combinação de balança de bens, serviços e renda negativa.
O resultado negativo do saldo externo tem sido financiado principalmente por investimentos diretos estrangeiros (IDP), que somaram aproximadamente US$ 77,7 bilhões em 2025, segundo o Banco Central, uma forma de cobertura considerada mais estável porque se destina ao setor produtivo.
Relatórios de estatísticas setoriais do Banco Central também mostram que, ao longo de 2025, o déficit em transações correntes acumulado em 12 meses chegou a níveis próximos a US$ 76,7 bilhões (cerca de 3,48% do PIB), conforme dados até outubro de 2025.
Déficit em transações correntes mantém pressão sobre o câmbio
Especialistas observam que déficits nesse patamar requerem fluxos constantes de capital estrangeiro para evitar pressões excessivas sobre a taxa de câmbio, já que déficits prolongados em conta-corrente podem aumentar a vulnerabilidade externa.
Financiamento por investimento direto ajuda a mitigar riscos imediatos, mas não elimina a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas e na competitividade da economia.
Segundo o Banco Central, as transações correntes brasileiras fecharam 2025 com déficit de cerca de US$ 68,8 bilhões, equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), resultado acumulado em 12 meses até outubro de 2025 aproximando-se de US$ 76,7 bilhões (3,48% do PIB).
O financiamento desse déficit ocorreu principalmente por meio de investimentos diretos estrangeiros, que somaram aproximadamente US$ 77,7 bilhões em 2025, segundo o Banco Central.
Embora o saldo comercial de bens tenha registrado superávit, o aumento das importações acima das exportações contribuiu para pressionar o resultado das contas externas. As projeções oficiais indicam que, em 2026, o déficit em transações correntes deve se reduzir para cerca de US$ 60 bilhões (2,4% do PIB).
Em resumo, Haddad deixa a Fazenda com um legado marcado por déficits fiscais recorrentes e um significativo rombo nas contas externas, tanto nos dados realizados quanto nas projeções oficiais. Além dos números em si, o problema fundamental é a mensagem transmitida ao mercado: tolerância ao aumento de gastos, aposta excessiva em aumento de arrecadação e incapacidade de proporcionar estabilidade tributária.
O resultado é um país que entra no próximo ciclo político com desequilíbrios já incorporados, juros estruturalmente elevados e maior dependência de financiamento externo em um ambiente global cada vez mais seletivo.

