A dívida pública federal registrou forte crescimento no último ano e alcançou R$ 8,635 trilhões. O avanço foi de 18%, o maior desde 2015, superando inclusive o período mais crítico da pandemia. Os dados constam em balanço divulgado pelo Tesouro Nacional, segundo a CNN Brasil.
O volume total aumentou mais de R$ 1,3 trilhão em relação a dezembro de 2024, quando o montante estava em R$ 7,316 trilhões. O ritmo de crescimento chamou atenção por ocorrer mesmo sem uma explosão dos gastos primários do governo.
A dívida pública federal é formada por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional para cobrir despesas superiores à arrecadação. Ela também cresce de forma automática com a incidência de juros, independentemente de novas emissões.
Juros explicam o avanço do endividamento
No relatório oficial, o Tesouro afirmou que o crescimento de 18% “foi impulsionado principalmente pela apropriação de juros, refletindo, em grande medida, o patamar da taxa de juros da economia”.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, reforçou que o aumento não está ligado às despesas primárias. “Não é o quadro primário que está impulsionando a dívida”, disse.
Hoje, quase metade do estoque está vinculada à taxa Selic, definida pelo Banco Central. Com a elevação dos juros básicos, que chegaram a 15% no ano passado, o custo da dívida tende a subir de forma mais acelerada.
Outro fator relevante é a inflação. Cerca de 26% da dívida do Tesouro está atrelada ao IPCA, o índice oficial de preços ao consumidor, o que faz o valor crescer sempre que a inflação avança.
Projeções oficiais para os próximos anos
Além do balanço, o Tesouro divulgou o Plano Anual de Financiamento, que estabelece parâmetros para a gestão do endividamento federal. O documento aponta que o limite máximo previsto é de R$ 10,3 trilhões, enquanto o piso estimado é de R$ 9,7 trilhões.
Com esses números, a dívida poderá registrar nova expansão relevante, com possibilidade de crescimento de até 19% no período projetado.

