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Geopolítica

Conflitos e tensões entre grandes potências avançam o relógio do Juízo Final

Corrida nuclear, crises climáticas e falhas na cooperação internacional estão entre as principais causas

Conflitos e tensões entre grandes potências avançam o relógio do Juízo Final

O Relógio do Apocalipse conhecido como “Relógio do Juízo Final” foi ajustado para 85 segundos para a meia-noite, ou seja teve um avanço de três segundos. Essa é a menor distância registrada desde a criação do instrumento.

O Boletim dos Cientistas Atômicos (BAS – sigla em inglês), responsável pelo relógio, diz que tensões políticas e ameaças globais elevaram os riscos existenciais a níveis inéditos.

Segundo o Conselho de Ciência e Segurança (SASB) do Boletim, fatores como o fim do Tratado New START, a intensificação da crise climática, o avanço da inteligência artificial, preocupações com biotecnologia e o aumento do nacionalismo em grandes potências contribuíram para a situação atual.

Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim, disse que “os riscos catastróficos estão aumentando enquanto a cooperação internacional diminui. A mudança é possível, mas exige que líderes políticos atuem rapidamente.”

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Resultados político

No último ano, líderes de países como Estados Unidos, Rússia e China adotaram posturas mais agressivas e nacionalistas, corroendo acordos globais e acelerando a competição entre as grandes potências. O SASB disse que a falta de ação e os discursos de alguns governos ajudaram a aumentar esses riscos.

Algumas medidas que podem reduzir os perigos de um colapso da terra, são:

  • A retomada do diálogo sobre arsenais nucleares;
  • Regulamentações internacionais para inteligência artificial e biotecnologia;
  • Incentivo a políticas de energia renovável.

Além disso, os especialistas do boletim destacaram que, enquanto investimentos em armas nucleares seguem crescendo, políticas sobre IA e ciência do clima muitas vezes são paradas ou têm corte de recursos, dificultando a cooperação entre países.

Inez Fung, professora emérita da Universidade da Califórnia, Berkeley, disse ao boletim que é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa, acelerar o uso de energias renováveis e fortalecer a ciência climática global para monitorar e mitigar impactos.

Para Jon B. Wolfsthal, diretor de risco global da Federação de Cientistas Americanos, sem acordos vinculativos e investimento em ferramentas de prevenção, a corrida armamentista torna o mundo mais inseguro.

Histórico

De acordo com ao BBC News Brasil, em 1947, o relógio marcou sete minutos para a meia-noite; em 2020, os ponteiros registraram 100 segundos. O nível ficou o mesmo em 2021 e 2022, adiantados para 90 segundos em 2023, o mesmo em 2024. Em 2025 foi diminuído 1 segundo e agora voltam a se aproximar da meia-noite.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START), assinado em 1991 pelos Estados Unidos e pela União Soviética com o fim da Guerra Fria, tinha como objetivo cortes nos arsenais nucleares estratégicos de ambos os países.

O acordo permitiu que o relógio fosse atrasado em 17 minutos. Foi o ponto mais distante da meia-noite. Esse pacto chega ao fim em 5 de fevereiro.

O presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu que os países continuassem a observar as regras do tratado por mais um ano, mantendo o limite de 1.550 ogivas nucleares implantadas de cada lado. Até o momento, o presidente americano, Donald Trump, não respondeu à proposta.

Como é determinado o relógio?

O Boletim dos Cientistas Atômicos, fundado em 1945 por Albert Einstein e cientistas do Projeto Manhattan, criou o Relógio do Juízo Final dois anos depois para alertar sobre ameaças humanas à sobrevivência da humanidade e do planeta.

O SASB, em parceria com oito laureados com o Prêmio Nobel, determina todos os anos a posição do relógio. Em 2025, ele havia sido ajustado para 89 segundos para a meia-noite. Considerando o crescimento de arsenais nucleares, tecnologias disruptivas, múltiplos riscos biológicos e a crise climática contínua.

Segundo o anúncio, Daniel Holz, professor da Universidade de Chicago e presidente do SASB, apontou que “a ascensão de autocracias nacionalistas em diversas regiões do mundo agrava os riscos nucleares, climáticos e tecnológicos, tornando a cooperação internacional mais difícil e a humanidade mais vulnerável”.

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