Autoridades dos Estados Unidos iniciaram uma apuração para verificar relatos de que mensagens trocadas pelo WhatsApp poderiam ter sido acessadas por pessoas ligadas à própria empresa responsável pelo aplicativo, a Meta Platforms.
A organização também controla o Facebook e o Instagram. A investigação teve origem em depoimentos de ex-prestadores de serviço que atuavam na moderação de conteúdo.
Eles relataram a agentes federais que, durante o trabalho, presenciaram situações em que funcionários e contratados conseguiam visualizar mensagens que, em tese, estariam protegidas por criptografia de ponta a ponta.
A apuração passou pelas mãos de agentes do Departamento de Comércio dos EUA, mais especificamente do setor que fiscaliza regras de exportação e segurança tecnológica.
Também houve registro de uma denúncia formal encaminhada em 2024 à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), órgão que fiscaliza empresas de capital aberto. As informações são do portal Bloomberg.
Segundo registros internos analisados pelo portal, o caso recebeu o nome de “Operação Criptografia de Origem” e ainda estava ativo no início deste ano.
O que diz a Meta?
Ainda de acordo com a Bloomberg, a Meta nega de forma categórica a possibilidade de qualquer acesso ao conteúdo das mensagens.
A empresa sustenta que a arquitetura do WhatsApp impede tecnicamente que seus próprios servidores leiam as conversas, pois as chaves de criptografia ficam armazenadas apenas nos aparelhos dos usuários.
O porta-voz da companhia declarou que as alegações dos ex-contratados são “impossíveis”, reiterando que nem funcionários nem terceirizados conseguem visualizar diálogos protegidos.
A companhia relembra ainda que já esteve sob forte vigilância regulatória após uma multa bilionária aplicada pela Comissão Federal de Comércio (FTC) em 2019 por falhas relacionadas à privacidade de dados.
O relato dos ex-contratados
Os depoimentos que deram origem à apuração vieram de pessoas que trabalhavam para a Meta por meio de contrato com a Accenture, empresa global de consultoria e tecnologia.
Esses profissionais atuavam na moderação de conteúdos considerados problemáticos e afirmaram que havia, dentro dos escritórios, acesso amplo ao que deveria ser informação criptografada.
Um dos entrevistados relatou que equipes internas conseguiam “extrair o que quisessem e enviar” quando solicitadas, mesmo antes de moderadores receberem acesso direto ao WhatsApp.
Outro ponto levantado diz respeito à presença de trabalhadores estrangeiros em centros de moderação, com acesso aos mesmos sistemas utilizados por funcionários nos Estados Unidos.
O papel dos órgãos federais
O setor do Departamento de Comércio envolvido na apuração é responsável por controlar tecnologias sensíveis e supervisionar regras de exportação. Não está claro qual seria o enquadramento jurídico exato dessa investigação.
Posteriormente, uma porta-voz do órgão declarou que não há investigação formal contra a Meta por violação de leis de exportação, mas não esclareceu o alcance da apuração em curso.
Paralelamente, uma ação judicial aberta na Califórnia por usuários do aplicativo também cita denunciantes que alegam que a empresa teria capacidade de acessar comunicações consideradas privadas.
Como funciona a criptografia do aplicativo?
O WhatsApp divulga que utiliza criptografia de ponta a ponta por padrão. Esse mecanismo significa que apenas quem envia e quem recebe a mensagem têm as chaves digitais para ler o conteúdo.
A própria empresa afirma publicamente que não consegue acessar o teor das conversas, argumento utilizado inclusive em discussões com governos que solicitam dados para investigações criminais. Um porta-voz da companhia declarou que as acusações são tecnicamente impossíveis.
Novo modelo de assinatura sem anúncios
Como divulgado pelo O Brasilianista, o WhatsApp trabalha paralelamente em um modelo opcional de assinatura que retira anúncios da aba “Atualizações” do aplicativo.
A proposta prevê que usuários pagantes deixem de visualizar conteúdos patrocinados entre os status e canais, mantendo gratuitas as funções de mensagens e chamadas.
O acesso deverá ocorrer por meio de uma lista de espera, e a empresa ainda não informou valores ou datas de lançamento.
A Meta sinaliza que as regras de privacidade permanecem iguais para todos os usuários, independentemente da adesão ao plano pago.

