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Geopolítica

Risco de ataque dos EUA ao Irã abre leque de cenários no Oriente Médio

Possíveis desdobramentos envolvem retaliações militares, impacto no petróleo e instabilidade política

Risco de ataque dos EUA ao Irã abre leque de cenários no Oriente Médio

A movimentação militar dos Estados Unidos nas proximidades do território iraniano levanta dúvidas sobre o que pode acontecer caso uma ofensiva seja ordenada pelo presidente americano.

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Por isso a BBC News, organizou sete caminhos possíveis em caso de ofensiva. Especialistas ouvidos pela emissora britânica destacam ataques limitados a instalações estratégicas até uma desestabilização ampla da região.

Um dos quadros avaliados considera bombardeios de precisão contra estruturas da Guarda Revolucionária, força de elite que responde diretamente ao líder supremo do país, e contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos.

Outro cenário prevê a manutenção da República Islâmica no poder, mas sob pressão para moderar políticas externas e internas, reduzindo apoio a milícias no Oriente Médio e limitando seu programa nuclear.

Reação imediata contra instalações americanas no Golfo

Um dos primeiros efeitos de um ataque seria a resposta direta com mísseis e drones contra bases dos Estados Unidos espalhadas pelo lado árabe do Golfo.

Bahrein e Catar concentram estruturas militares estratégicas e poderiam entrar na rota de eventuais disparos. Na avaliação de especialistas, aliados de Washington na região também passariam a viver sob risco.

Bloqueio marítimo em rota vital do petróleo

O Estreito de Ormuz, corredor por onde circula grande parte do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, poderia se tornar alvo de uma estratégia de bloqueio.

A colocação de minas navais já foi utilizada no passado em conflitos na região e figura entre as capacidades militares do país. A interrupção da navegação provocaria efeitos imediatos nos preços da energia.

Investidas contra navios de guerra por meios não convencionais

A Marinha ligada à Guarda Revolucionária treinou durante anos táticas consideradas assimétricas, com uso simultâneo de pequenas embarcações rápidas e drones explosivos.

Esse tipo de ofensiva busca sobrecarregar os sistemas de defesa de grandes navios militares. O impacto simbólico de um dano significativo a uma embarcação americana seria elevado.

Consolidação de um comando militar no poder

Uma ofensiva externa poderia reforçar a presença de militares no controle político do país. A Guarda Revolucionária, que já possui grande influência, assumiria papel ainda mais central diante do cenário de conflito.

Protestos internos ocorridos nos últimos anos não resultaram em deserções relevantes dentro das forças armadas.

Permanência do governo sob pressão internacional

Também é possível que o sistema político atual permaneça, mas seja forçado a reduzir atividades externas consideradas sensíveis, como apoio a grupos armados e programas de armamento. A história recente, porém, indica resistência da liderança iraniana a mudanças impostas de fora.

Ataques a estruturas estratégicas dentro do território iraniano

Alvos previsíveis de uma ação americana incluem bases da Guarda Revolucionária, centros de armazenamento de mísseis e locais associados ao programa nuclear. A intenção seria enfraquecer a capacidade militar sem atingir áreas civis.

Experiências em outros países do Oriente Médio indicam que a fase posterior a esse tipo de operação costuma ser marcada por instabilidade.

Fragmentação interna e disputas entre grupos étnicos

A queda abrupta da autoridade central poderia abrir espaço para confrontos entre diferentes grupos dentro do país.

Minorias regionais poderiam tentar assumir controle de territórios, gerando deslocamentos populacionais e crise humanitária. O tamanho da população amplia os possíveis efeitos desse tipo de cenário.

Teerã promete resposta imediata

Como divulgado pelo O Brasilianista, autoridades iranianas afirmaram que qualquer operação militar dos Estados Unidos será tratada como o início de uma guerra.

O conselheiro sênior do líder supremo, Ali Shamkhani, escreveu que a reação será “imediata, abrangente e sem precedentes”.

O chanceler Abbas Araghchi declarou que ameaças militares não contribuem para a diplomacia e negou que tenha havido contatos recentes para negociação.

O presidente americano afirmou que avalia opções, inclusive militares, caso não haja acordo nuclear, e escreveu em rede social que “o tempo está se esgotando”.

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