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Justiça

Diretor do BC explica o motivo que levou o Master a ser liquidado

Ailton de Aquino comentou que a crise de liquidez era “muito clara”

Diretor do BC explica o motivo que levou o Master a ser liquidado

Em depoimento à Polícia Federal, divulgado após quebra de sigilo do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou os motivos que levaram o Banco Master a ser liquidado extrajudicialmente pela autoridade monetária.

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O Banco Master é investigado por uma fraude estimada em R$ 12 bilhões realizada por meio de vendas de títulos financeiros e cartas de crédito sem lastro, além de pedidos de aumento de capital sem fundamento com o lucro das empresas.

De acordo com o depoimento, a crise de liquidez do Master era muito clara e a instituição financeira não conseguia honrar os depósitos compulsórios exigidos pelo BC.

“Primeiro que deve se pontuar, não é normal instituição financeira que não tem liquidez. […] A crise de liquidez do Master era muito clara. Ele já tinha como também de conhecimento, ingressado, como a gente gosta de dizer, no compulsório, ou seja, ele não estava conseguindo cumprir o seu compulsório. E tem um processo administrativo em curso pela não cobertura do compulsório”, afirmou Aquino.

O depósito compulsório é uma exigência do BC para que as instituições financeiras depositem uma parte do dinheiro captado dos clientes (à vista, a prazo, ou poupança) no próprio BC. O objetivo é analisar o montante em circulação e as condições de liquidez da empresa.

“Ou seja, ele não tinha ativos líquidos, mas títulos públicos para fazer face à suas obrigações. A pergunta central é: como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito nesta magnitude para ceder ao BRB? […] E isso, obviamente, como supervisores, levanta um alerta e necessita se aprofundar nos trabalhos”, explicou o diretor do BC.

Vale lembrar que o dono do banco investigado, Daniel Vorcaro, revelou em depoimento que tinha consciência dos problemas de liquidez do banco, mas que havia sido uma situação momentânea. No mesmo relato, ele afirmou que o modelo de negócio do Master era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — o que garantiria margem para oferecer produtos com rendimentos acima do mercado e se apoiar no FGC em caso de apoio.

Veja o vídeo do depoimento do diretor do BC:

Sem influências políticas

Aquino ainda declarou que não passou por qualquer tipo de influência política para decidir sobre a liquidação do Master. As informações são do Uol.

“Que eu tenha conhecimento, como diretor de Fiscalização, eu não conheço, não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar ou não liquidar de autoridades da República”, afirmou em depoimento.

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