As principais notícias do dia foram pautadas pelos desdobramentos do caso Banco Master, que segue no centro da agenda do Supremo Tribunal Federal (STF), do sistema financeiro e do debate político em Brasília. Decisões judiciais, novas informações sobre as investigações e repercussões no Congresso ampliaram o alcance do escândalo e mantiveram o tema em evidência nos principais veículos do país. O levantamento das notícias foi feito pela Arko Advice.
No Judiciário, o ministro do STF Dias Toffoli decidiu retirar o sigilo dos depoimentos prestados à Polícia Federal por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. A informação foi veiculada pela Folha de S.Paulo, que destacou que a medida atendeu a um pedido do Banco Central. Os depoimentos foram colhidos antes da acareação determinada pelo próprio ministro, no âmbito da investigação que apura fraudes financeiras responsáveis por prejuízo bilionário ao BRB.
Ainda segundo a Folha, durante as oitivas, Vorcaro e Costa apresentaram versões divergentes sobre a origem de créditos considerados falsos e repassados ao banco público do Distrito Federal. O controlador do Banco Master afirmou que integrantes do Banco Central teriam, inclusive, recomendado a venda da instituição ao BRB. Em outro momento, Vorcaro disse ter informado ao banco sobre a adoção de um “novo formato de comercialização”, com créditos originados por terceiros, a partir de janeiro.
O Estadão informou que Dias Toffoli, além de retirar o sigilo dos depoimentos, admitiu a possibilidade de encaminhar o caso à primeira instância ao fim das investigações. O Correio Braziliense reforçou que o ministro avalia a remessa do processo fora do STF, caso não reste caracterizada a prerrogativa de foro. Em nota pública, Toffoli defendeu sua atuação como relator, afirmando que todos os pedidos de anulação das investigações foram rejeitados até o momento, informação também destacada pela Folha de S.Paulo.
Campo regulatório
No campo regulatório, O Globo noticiou que o Banco Central abriu uma investigação interna para apurar possíveis falhas no processo de fiscalização e na condução da liquidação do Banco Master. A sindicância é conduzida sob sigilo pela corregedoria da autoridade monetária e foi determinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Em meio à apuração, dois dirigentes do Departamento de Supervisão Bancária deixaram seus cargos, embora não haja acusações formais contra eles.
O impacto político do caso também ganhou destaque. A Folha de S.Paulo revelou que a executiva nacional do PT aprovou uma resolução que utiliza o escândalo do Banco Master para reforçar críticas ao mercado financeiro. O texto associa o episódio a práticas de corrupção e à relação entre o sistema financeiro e o crime organizado, além de inserir o tema no discurso político que deverá marcar a campanha eleitoral deste ano, embora o caso também tenha gerado desgaste para o governo Lula.
No Congresso
No Congresso, o Estadão informou que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou a convocação de Daniel Vorcaro e de Luís Félix Cardamone Neto, presidente do Banco BMG, para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Vorcaro é acusado de fraude estimada em R$ 12 bilhões na venda de créditos falsos ao BRB e chegou a ser preso no ano passado ao tentar deixar o país, sendo solto dias depois.
Paralelamente, o Valor Econômico destacou que o Banco Central e representantes do sistema financeiro discutem uma proposta para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), possivelmente por meio de depósitos compulsórios. O debate ganhou força após o colapso do Banco Master e reacendeu discussões sobre mecanismos de proteção ao sistema financeiro.

