Os principais jornais do país destacaram nesta semana um conjunto de temas considerados centrais para o cenário econômico e político brasileiro, com foco no desempenho das estatais federais, na situação financeira dos Correios, na desaceleração do mercado de trabalho e nas incertezas eleitorais de 2026. As reportagens apontam avanços nos investimentos públicos, mas também revelam desequilíbrios, dificuldades fiscais e um ambiente de cautela entre empresários. A curadoria das notícias foi feita pela Arko Advice.
As empresas estatais federais ampliaram de forma significativa seus investimentos em 2025. Levantamento divulgado pelo Valor Econômico mostra que os aportes de 44 estatais somaram R$ 111 bilhões no ano passado, um aumento real de 10% em relação a 2024 e o maior patamar desde 2020. O cálculo considera o orçamento fechado das estatais e os balanços das maiores companhias, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, com dados até o terceiro trimestre de 2025. Segundo o Boletim Trimestral da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), os investimentos alcançaram R$ 86,4 bilhões até setembro, crescimento nominal de 34,3% na comparação anual.
Estatais
Apesar do avanço nos aportes, os resultados financeiros das estatais não foram homogêneos. De acordo com dados do MGI divulgados pela Folha de S.Paulo, as empresas federais registraram lucro de R$ 136,3 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, alta nominal de 22,5% frente ao mesmo período de 2024. No entanto, 20 das 39 estatais que já apresentaram balanço tiveram piora nos resultados, seja por prejuízos maiores ou lucros menores. O caso mais emblemático é o dos Correios, que acumularam prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses do ano, quase o triplo do resultado negativo registrado no ano anterior.
Ainda no caso dos Correios, reportagem do Valor Econômico apurou que, diante da crise financeira e do caixa apertado, a estatal parcelou em 60 meses dívidas de R$ 2,4 bilhões junto à Receita Federal e ao INSS, referentes a PIS, Cofins e contribuição patronal. A medida teve como objetivo preservar a liquidez e regularizar a situação fiscal da empresa. No ano passado, os Correios também chegaram a atrasar o pagamento do FGTS dos funcionários, situação posteriormente normalizada. Após a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos, a companhia iniciou a implementação de um plano de reestruturação.
Mercado de trabalho
No mercado de trabalho, os sinais de arrefecimento da atividade econômica também ganharam destaque na imprensa. Dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e repercutidos por O Globo, indicam que o Brasil criou 1,3 milhão de empregos formais em 2025, o menor crescimento desde a pandemia. O resultado representa uma expansão de 2,71% do estoque de empregos e reflete os efeitos do aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que tem reduzido consumo e investimentos. Em 2024, o saldo havia sido de 1,7 milhão de vagas, com crescimento de 3,69%.
O ambiente político e eleitoral completa o quadro de preocupação apontado pelos jornais. Pesquisa “Plano de Voo”, elaborada pela Amcham Brasil e divulgada pelo Valor Econômico, mostra que o cenário político interno, em ano eleitoral, é visto por empresários como o principal desafio para o Brasil em 2026. Segundo o levantamento, equilíbrio fiscal, controle de gastos públicos e as relações com os Estados Unidos devem ser prioridades do próximo governo. O estudo revela ainda que 40% dos empresários se dizem pessimistas em relação às eleições de 2026, enquanto 39% avaliam o cenário como neutro e apenas 18% demonstram otimismo.

