O escândalo da fraude do Banco Master, estimada em R$ 12 milhões, expõe não apenas problemas políticos e jurídicos, como também questionamentos regulatórios para instituições financeiras no Brasil. É o que indicam especialistas entrevistados pelo g1 sobre o caso.
Apesar do Banco Central (BC) alegar que a liquidação do Master em novembro do ano passado não teria forte impacto no Sistema Financeiro Nacional (SFN), outras implicações da crise mostram diversos riscos para a saúde econômica brasileira, além de levantar análises sobre como as instituições financeiras do porte do banco são reguladas no país.
Vale lembrar que a Polícia Federal (PF) deflagrou em novembro a Operação Compliance Zero, que identificou investimentos sem lastro do Master, além de outras instituições financeiras envolvidas. Até o final de janeiro, foram seis empresas liquidadas extrajudicialmente pelo BC.
Segundo os especialistas consultados pelo g1, o caso expôs os desafios regulatórios do sistema brasileiro em supervisionar bancos e instituições que ofertam créditos competitivos à margem dos bancos tradicionais.
O escândalo mostrou que a empresa liquidada oferecia aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos muito acima dos demais no mercado, o que chamava atenção dos investidores. No entanto, o retorno não era cumprido, pois o banco não possuía liquidez para retornar os valores, se apoiando unicamente no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Na visão dos analistas, a situação também indicou como instituições utilizam o FGC como lastro para os investidores, o que pode comprometer em larga escala a reserva do fundo.
Instituições como o Master possuem menos regulação
O tamanho do Master e seu escopo de atividades o colocavam em patamar abaixo dos bancos tradicionais. Essa condição garantia menores exigências regulatórias — afinal, trariam menor impacto ao sistema financeiro.
Para Pedro Paulo Silveira, economista e sócio da A3S Investimentos, entrevistado pelo g1, apenas um sistema bancário ágil e flexível consegue oferecer crédito nas condições de que a economia brasileira precisa.
No entanto, o mercado financeiro e bancário, muitas vezes, faz operações arrojadas e “ultrapassa os limites do bom senso”.
O caso ainda dá luz a um cenário de risco: cerca de 500 funcionários da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fiscalizam R$ 16,7 trilhões em ativos negociados no mercado de capitais, o que pode gerar diversas falhas.
Esse fato, somado às falhas na gestão de fundos previdenciários públicos, que investem valores altos em créditos sem lastro, contribuem para o agravamento e recorrência dessas fraudes.
No entanto, vale destacar que o impacto do Master em si não é capaz de quebrar o SFN, mas se a capacidade de fiscalização dos órgãos de controle seguir como está, novos casos podem surgir e comprometer a estabilidade do SFN.

