O Grupo Fictor ingressou com pedido de recuperação judicial no domingo, 1º, informando um passivo que ultrapassa R$ 4 bilhões. A solicitação envolve as operações da Fictor Holding e da Fictor Invest e ocorre após dificuldades financeiras que se agravaram no fim do ano passado.
De acordo com a Veja, a decisão foi tomada em meio a uma restrição severa de caixa. O cenário teria sido desencadeado após a liquidação do Banco Master determinada pelo Banco Central, episódio que afetou diretamente o fluxo financeiro do grupo.
Mesmo ao recorrer ao mecanismo judicial, a empresa comunicou que pretende honrar integralmente os valores devidos. A estratégia, segundo o documento apresentado à Justiça, não inclui a busca por abatimento das dívidas, prática comum em processos desse tipo.
Pedido inclui proteção contra cobranças imediatas
No requerimento, o Grupo Fictor solicitou tutela de urgência para suspender execuções judiciais e bloqueios de bens por um prazo inicial de 180 dias. O objetivo é evitar ações individuais de credores que possam agravar ainda mais a situação de liquidez e comprometer uma solução coletiva.
A empresa argumenta que a medida é necessária para preservar o funcionamento das atividades e permitir uma reorganização financeira estruturada. A intenção declarada é criar condições para um acordo equilibrado com todos os credores envolvidos.
Expansão dos negócios e atuação em vários setores
O grupo atua em diferentes áreas, como finanças, tecnologia, energia e agronegócio. A presença no Brasil começou em 2007, com foco inicial em soluções tecnológicas. A primeira captação de recursos ocorreu em 2013, marcando uma fase de crescimento.
A partir de 2018, a empresa ampliou sua atuação para o agronegócio, operando como trading de commodities. Em 2023, entrou no setor elétrico, com investimentos voltados à geração de energia solar. No ano seguinte, passou a operar no segmento financeiro com a criação do FictorPay.
Ainda em 2024, a Fictor Alimentos realizou sua abertura de capital na B3. Nos últimos dois anos, o grupo também iniciou a expansão internacional, com escritórios fora do país, incluindo uma unidade em Miami, nos Estados Unidos.
Decisão judicial e tentativa frustrada de aquisição
Poucos dias antes do pedido de recuperação judicial, em 30 de janeiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões pertencentes ao Grupo Fictor. A decisão foi baseada na falta de garantias financeiras previstas em contrato para a atuação da empresa no mercado de cartões de crédito.
A Justiça também considerou que houve redução patrimonial em um momento considerado sensível, logo após a sinalização de interesse na compra do Banco Master. A aquisição havia sido anunciada um dia antes da liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, o que acabou impedindo a conclusão do negócio.

