A cientista política Laura Fernández, de 39 anos, foi eleita presidente da Costa Rica no primeiro turno das eleições realizadas no domingo. Aliada do atual governo e identificada com pautas conservadoras, ela alcançou o percentual necessário para encerrar a disputa sem necessidade de nova votação.
A nova presidente também se apresenta como aliada de lideranças conservadoras internacionais. Durante a campanha, Laura Fernández declarou apoio político ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A apuração oficial indicou que a candidata governista ultrapassou com folga o mínimo exigido pela legislação eleitoral do país. O resultado consolida a continuidade do projeto político iniciado pelo presidente Rodrigo Chaves, que não pôde disputar a reeleição.
O pleito ocorreu em um momento de preocupação crescente com a violência e o avanço do narcotráfico, temas que dominaram o debate eleitoral e influenciaram a escolha de parte expressiva do eleitorado, segundo o G1.
Quem é Laura Fernández
Formada em ciência política, Laura Fernández construiu sua trajetória no serviço público antes de chegar ao centro do poder. Atuou como assessora técnica e integrou o Ministério do Planejamento Nacional e Política Econômica, onde ganhou projeção ao assumir cargos estratégicos ainda antes de integrar o primeiro escalão do governo.
De acordo com a CNN Brasil, em 2022, foi escolhida por Rodrigo Chaves para comandar o ministério, função que ampliou sua visibilidade e a colocou como uma das principais articuladoras da atual gestão. Ao longo desse período, passou a defender publicamente projetos estruturais do governo e se firmou como nome de confiança do presidente.
Com a posse marcada para 8 de maio, Fernández também entrará para a história como a segunda mulher a governar a Costa Rica, depois de Laura Chinchilla. O país, com cerca de 5,2 milhões de habitantes, é considerado um dos mais estáveis da América Central, embora enfrente desafios recentes na área social e institucional.
Resultado das urnas e cenário eleitoral
Dados divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral apontaram que, com 88,4% das urnas apuradas, Laura Fernández obteve 49,1% dos votos válidos. O segundo colocado foi o economista Álvaro Ramos, do Partido de Libertação Nacional, com 32,8%.
Para vencer no primeiro turno, era necessário alcançar ao menos 40% dos votos. Outros candidatos não chegaram a 5% nas parciais, o que evidenciou a polarização da disputa entre os dois principais nomes.
Ao todo, 20 postulantes concorreram à Presidência, mas apenas Fernández e Ramos mantiveram desempenho competitivo ao longo da apuração.
Segurança pública como eixo central da campanha
Durante a campanha, Laura Fernández defendeu a manutenção das diretrizes adotadas pelo atual governo e apresentou propostas de endurecimento no combate ao crime organizado. Entre elas, está a construção de grandes complexos prisionais inspirados no modelo adotado em El Salvador.
A Costa Rica, tradicionalmente vista como um país pacífico, tem registrado aumento nos índices de violência e passou de rota de passagem a ponto estratégico para a exportação de drogas, com atuação de cartéis estrangeiros. Esse contexto reforçou o apelo de discursos mais rígidos na área de segurança.
Atualmente ministra da Presidência, Fernández também mencionou a possibilidade de adoção de estados de exceção para enfrentar o avanço das facções criminosas, estratégia que gera críticas de organizações de direitos humanos quando aplicada em outros países da região.
Congresso e governabilidade
Além da eleição presidencial, os eleitores também votaram para renovar as 57 cadeiras da Assembleia Nacional. Até o último balanço, os resultados do Legislativo ainda não haviam sido oficialmente divulgados.
Pesquisas indicavam avanço do partido ligado ao presidente Rodrigo Chaves, mas permanecia a incerteza sobre a obtenção de uma supermaioria parlamentar. Caso isso ocorra, o novo governo poderá influenciar decisões-chave, como a escolha de magistrados da Suprema Corte.
Há quatro anos, Chaves chegou ao poder com um discurso de ruptura, apresentando-se como “outsider” e criticando as legendas tradicionais, mesmo tendo integrado o governo como ministro da Economia. Parte dessa narrativa continua presente no grupo político que agora conduzirá o país.

