Publicidade
Geopolítica

Silêncio de Israel em meio ao aumento de militares estadunidenses no Oriente Médio tem motivo

Segundo especialistas, governo israelense evita declarações públicas por estratégia, o país aposta na liderança americana

Silêncio de Israel em meio ao aumento de militares estadunidenses no Oriente Médio tem motivo


No exterior, há movimentações e rumores sobre um possível aumento da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mas, mesmo com essas tensões crescendo, Israel adotou uma postura não muito comum no país. O silêncio.

De acordo com a BBC News Brasil, fora os apoios pontuais aos protestos contra o governo iraniano, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro do país tem evitado se posicionar sobre a tensão entre Washington e Teerã. O tratamento de silêncio vem de toda a parte do governo de Israel.

Especialistas dizem que essa ausência de falas não é casual. Para Danny Citrinowicz, que passou 25 anos na inteligência israelense e hoje atua como pesquisador no Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, o silêncio indica o peso estratégico do momento atual para o governo Netanyahu.

Segundo ele, o reforço das forças americanas no Golfo, somado à possibilidade concreta de uma ofensiva dos EUA contra o Irã, abre uma janela rara de oportunidade para Israel.

Avaliação semelhante faz Asaf Cohen, ex-vice-diretor da unidade de inteligência de sinais do país. Na leitura dele, a escolha pela discrição faz parte de um cálculo político.

A cúpula israelense entende que os Estados Unidos devem liderar qualquer movimento, já que contam com maior poder militar, capacidade operacional mais ampla e maior respaldo da comunidade internacional.

Publicidade

Pressão

Nos bastidores, segundo a BBC, Netanyahu vê o Irã há décadas como a principal ameaça a Israel. Mas o silêncio público, não significa inação. Nesta semana, o chefe da inteligência militar israelense, Shlomi Binder, esteve em Washington para tratar, segundo a imprensa local, de possíveis alvos em território iraniano.

Para Danny Citrinowicz, Netanyahu pressiona os EUA de forma reservada por uma ofensiva mais ampla, voltada a enfraquecer o regime de Teerã. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, avalia desde ações militares limitadas até uma operação maior, enquanto alterna ameaças e sinais de negociação.

No domingo, afirmou que as conversas avançam; do lado iraniano, Ali Larijani confirmou que um plano de diálogo está em elaboração.

Benefícios e riscos para Israel

Apesar dos alertas de aliados dos EUA sobre os riscos de tentar derrubar o regime iraniano, parte da cúpula israelense vê vantagens.

A aposta é que uma mudança em Teerã reduziria a ameaça dos mísseis, o avanço nuclear e enfraqueceria aliados como o Hezbollah, que ainda mantém milhares de foguetes no sul do Líbano.

No Parlamento, há quem tema o efeito contrário. Deputados dizem que ataques limitados ou um novo acordo podem acabar mantendo o regime de pé.

O receio é repetir um confronto sem resultado claro, mas com alto custo: no ano passado, após bombardeios a alvos iranianos, Teerã respondeu com centenas de mísseis contra Israel, alguns dos quais atingiram áreas civis em Tel Aviv e deixaram dezenas de mortos.

Israel está preparado?

Israel vem se preparando para o pior dos cenário, entretanto a guerra deixou claro que o país está mais vulnerável do que se imaginava. Analistas apontam que o Irã ajustou suas táticas ao longo do conflito e já trabalha para recompor seu arsenal de mísseis.

Ainda segundo a BBC, um assessor do líder supremo iraniano voltou a ameaçar dizendo que qualquer ataque dos EUA teria resposta imediata.

Para Danny Citrinowicz, Netanyahu teme repetir ataques sem mudar o jogo em Teerã. Segundo ele, conter os mísseis exige algo maior e com envolvimento direto dos Estados Unidos.

Asaf Cohen vê o momento como raro. O Irã saiu da guerra com defesas enfraquecidas, aliados regionais fragilizados e pressão interna crescente. Na leitura dele, é a fase mais delicada do regime em anos.

Apoio e risco

Em Tel Aviv, ainda marcada pelos ataques recentes, cresce a discussão sobre um novo confronto. Parte da população apoia uma ofensiva mais dura, mesmo ciente dos custos elevados.

Pesquisas indicam maioria favorável a uma ação militar, mas especialistas alertam: o regime iraniano segue coeso e a oposição, fragmentada. Um colapso poderia gerar tanto continuidade quanto caos.

Além disso, ataques aéreos raramente derrubam regimes. Com eleições à frente, Netanyahu tenta recuperar a imagem de líder forte. Um golpe em Teerã seria vitória política e aposta arriscada.

No limite da diplomacia

EUA e Irã dizem estar abertos ao diálogo, mas Washington impõe condições que Teerã rejeita. Para Cohen sem acordo rápido, um ataque americano ganha força. Já Citrinowicz vê limites claros do regime e alerta para um conflito difícil de controlar.

Há sinais de que Trump pode suavizar exigências e focar no nuclear. Se isso acontecer, o alívio pode ser temporário e observado de perto por Israel.

O Brasilianista está no Instagram