No ano passado os gastos administrativos para a manutenção da estrutura da máquina pública foi de R$ 72,7 bilhões. Esse é o maior valor registrado em nove anos.
Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional, ajustados pela inflação para permitir comparações históricas iniciando com 2011. Segundo o G1, durante o governo de Dilma Rousseff, as despesas de custeio administrativo superaram R$ 70 bilhões ao ano, entre 2011 e 2016, antes do seu afastamento do cargo.
Posteriormente esses gastos caíram com as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, voltando a subir a partir de 2023, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ultrapassaram novamente a faixa dos R$ 70 bilhões. As despesas incluem custos como:
- Água
- Energia elétrica
- Serviços de telefonia
- Limpeza
- Vigilância
- Apoio administrativo e operacional
- Combustíveis
- Tecnologia da informação
- Aluguel de imóveis
- Aluguel de Veículos
- Diárias e passagens
- Serviços bancários
Impactos
O aumento desses gastos pesa direto no orçamento e acaba deixando menos dinheiro disponível para outras áreas, como bolsas de pesquisa, universidades federais e programas sociais.
Isso acontece porque o custeio da máquina pública faz parte dos chamados gastos livres do governo, que, pelas regras do arcabouço fiscal, só podem crescer até 2,5% ao ano, já considerando a inflação.
Enquanto isso, despesas obrigatórias como aposentadorias, pensões e salários de servidores seguem avançando em um ritmo maior, o que aperta ainda mais o espaço no orçamento para investimentos e outras despesas discricionárias.
Estimativas 2026
Os números do Ministério do Planejamento indicam que, em 2026, o governo terá algo em torno de R$ 129,2 bilhões para bancar tudo aquilo que não é obrigatório nos ministérios, desde o funcionamento do Estado até investimentos.
O problema é que uma fatia grande desse dinheiro, mais de R$ 70 bilhões, já sai carimbada para manter a máquina pública rodando.
Na prática, isso significa menos fôlego para outras áreas, que entram na disputa por um orçamento cada vez mais apertado. Os setores que sentem esse apelo são:
- Projetos de infraestrutura
- Apoio à defesa agropecuária
- Bolsas do CNPq e da Capes
- Emissão de passaportes
- Ações de fiscalização ambiental
- Ações de combate ao trabalho escravo
- Farmácia Popular
- Universidades federais
- Agências reguladoras
O que dizem os especialistas?
Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que o cenário tende a ficar ainda mais complicado em 2026, ano de eleições. A pressão de liberar benefícios represados se soma às limitações impostas pelo calendário eleitoral, o que dificulta a execução das chamadas despesas discricionárias.
Para o ex-secretário do Tesouro Nacional Jeferson Bittencourt, esse conjunto de fatores torna a gestão do orçamento mais travada.
Já Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, afirma que o espaço para investir segue pequeno diante do tamanho do país e das demandas que o Brasil tem.

