No dia 3 de janeiro deste ano, a capital da Venezuela, Caracas, sofreu um ataque comandado pelos Estados Unidos, em uma operação que capturou o ex-presidente do país, Nicolás Maduro.
Um mês depois, a operação justificada para levar o líder chavista para ser julgado pela Justiça americana por suposto envolvimento em um cartel de drogas ainda reverbera de diversas maneiras ao redor do mundo.
Captura de Maduro
O ex-líder da Venezuela é investigado por crimes de conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos com potencial uso contra os EUA.
A nova audiência está marcada para o dia 17 de março e, por enquanto, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ficarão presos por tempo indeterminado. No entanto, é possível que o tribunal opte pelo pagamento de fiança para os réus responderem em liberdade.
É possível que demore mais de um ano para os venezuelanos serem julgados nos EUA. Ao mesmo tempo, eles estão reclusos em uma penitenciária vertical considerada o “inferno na Terra”.
Quem assumiu o cargo na Venezuela, a mando dos EUA, foi a vice-presidente de sua chapa, Delcy Rodriguez.
Intervenção americana no território venezuelano
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, indicou que a Venezuela já entra na “segunda fase” do plano americano após o ataque que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Agora o objetivo é analisar a situação de presos políticos e atrair investimento externo. A fase foi chamada pelo secretário de “recuperação”.
A primeira etapa seria a suposta “estabilização” com o controle americano da cadeia produtiva de petróleo, o que ajudaria o país sul-americano a não “mergulhar no caos”. Os EUA já dominaram a exportação de petróleo da região, retomando a venda da commodity.
E por fim, a terceira será a “transição”, em que o povo definirá o futuro do país no que indica ser as eleições.
Repressão aos civis
Civis demonstram que o governo está aumentando a repressão à liberdade de expressão — e até mesmo revistando celulares.
Relatórios de autoridades revelam que a polícia está revistando celulares de civis em busca de conteúdo político crítico ao governo. Os documentos indicam que esse tipo de revista foi intensificado desde o ataque de Washington em Caracas.
Com a justificativa de que a ação seria necessária para reforçar a segurança nacional em um cenário de tensões políticas, a Venezuela conta com mais pontos de controle nas ruas da capital e em todo o território. Há pontos fixos e móveis, mas costumam ficar perto de instituições públicas ou zonas de segurança.
Nesse cenário, muitos venezuelanos relataram conversar em código, apagar frequentemente o conteúdo de mensagens e redes sociais dos celulares ou mesmo expressar opiniões, em especial sobre líderes políticos.

