A crise que hoje atinge o Banco de Brasília não é técnica nem circunstancial. É uma crise política, construída por decisões tomadas no núcleo do poder e materializada nas negociações realizadas com o Banco Master entre 2023 e 2024. Esse episódio revelou a fragilidade da governança do BRB e a utilização de uma instituição pública como instrumento de projeto político.
As operações firmadas envolveram valores bilionários, estruturas financeiras complexas e uma assimetria de riscos incompatível com o papel de um banco estatal. Enquanto o parceiro privado reduzia sua exposição, o BRB assumia compromissos elevados, sem transparência proporcional e sem demonstração clara de benefício público. Trata-se de um padrão que contraria frontalmente os princípios de prudência exigidos de instituições controladas pelo Estado.
Nada disso ocorreu sem comando político. As decisões foram tomadas sob uma diretoria alinhada ao governo do Distrito Federal, indicado e sustentado pelo governador Ibaneis Rocha, com conselhos e comitês internos atuando de forma passiva, quando não meramente homologatória. A governança foi esvaziada para dar lugar à conveniência política.
O escândalo com o Banco Master marcou um ponto de ruptura. A partir dele, cresceram os questionamentos do mercado, o desgaste reputacional e a percepção de que eventuais prejuízos não ficariam restritos ao banco, mas poderiam exigir aportes do GDF, transferindo riscos privados ao contribuinte do DF. Um banco responsável pela folha de pagamento, programas sociais e políticas públicas passou a ser visto como potencial passivo fiscal.
O caso não é um desvio isolado, mas o retrato de um modelo de gestão capturado. Sem investigação rigorosa, responsabilização dos decisores e blindagem efetiva contra interferência política, qualquer ajuste técnico será cosmético. A crise do BRB é o resultado direto da mistura entre poder político, opacidade decisória e dinheiro público — uma combinação que historicamente termina mal.

