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Economia

Brasil perde relevância no PIB mundial; entenda o porquê

Queda em 2023 expõe baixa produtividade, entraves fiscais e modelo econômico como fatores apontados por analistas

Brasil perde relevância no PIB mundial; entenda o porquê

Em 2023, a participação do Brasil no Produto Interno Bruto (PIB) mundial recuou para 2,08%, segundo dados do Banco Mundial. O número confirma uma tendência de perda de espaço do país na economia global observada ao longo das últimas décadas.

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De acordo com análises publicadas pela CNN, fatores como restrições fiscais, baixa produtividade e o peso elevado do setor público ajudam a explicar o desempenho.

Levantamentos mostram que, entre as décadas de 1980 e 1990, a fatia brasileira no PIB global avançou de 2,96% para pouco mais de 3,5%.

Nos anos seguintes, o indicador deixou de apresentar crescimento consistente e passou a oscilar entre 3,2% e 3,4%.

O histórico

No início da década de 2010, houve uma recuperação pontual, com retorno ao patamar de 3,5%, movimento que não se sustentou ao longo do tempo.

A baixa produtividade do trabalho aparece entre os principais entraves apontados por analistas. O desafio ganha maior relevância com o esgotamento do bônus demográfico, que reduz o ritmo de crescimento da população em idade ativa.

Ouvido pela CNN, o ex-secretário de Comércio Exterior Lucas Ferraz avalia que a incapacidade de ampliar a produção mantendo o mesmo contingente de trabalhadores pode levar à estagnação ou até à queda da renda per capita.

O envelhecimento da população tende a intensificar as pressões sobre o mercado de trabalho. Segundo Cornelius Fleischhaker, economista sênior do Banco Mundial para o Brasil, a força de trabalho, que há cerca de 20 anos crescia aproximadamente 2% ao ano, atualmente avança menos de 0,5% e deve passar a registrar retração nos próximos anos.

Modelo econômico do país

Especialistas também apontam limitações no modelo econômico adotado pelo país. Para Fabio Kanczuk, diretor de Macroeconomia do ASA e ex-diretor do Banco Central, o tamanho do Estado gera distorções tributárias que dificultam a expansão das empresas e a adoção de tecnologias mais eficientes.

A política fiscal é outro fator de pressão. A ampliação de benefícios sociais, os custos da Previdência e o impacto dos juros sobre a dívida pública elevam os gastos federais, pressionam o endividamento e contribuem para a manutenção de juros elevados.

Esse ambiente reduz o nível de investimento e compromete a competitividade da economia brasileira.

Enquanto isso, outras economias avançaram de forma mais acelerada nos últimos 25 anos. No período, o PIB da China cresceu 518%. Vietnã, Índia e Bangladesh registraram expansão superior a 200%, enquanto o Cazaquistão apresentou crescimento de 183%.

Tarifas e importação

Na avaliação de analistas, a maior integração do Brasil ao comércio internacional é vista como um elemento central para enfrentar essas limitações.

O país mantém tarifas de importação elevadas em comparação com outras economias, o que reduz a concorrência externa e diminui os incentivos à incorporação de novas práticas e tecnologias.

Fleischhaker avalia que a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia poderia contribuir para melhorar esse cenário, embora os efeitos do tratado ainda devam levar tempo para se refletir na economia.

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