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Geopolítica

Reaproximação entre Trump e Xi Jinping reacende disputa estratégica e amplia margem de manobra do Brasil

Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice International, avalia impactos globais do gesto diplomático e aponta espaço para negociações duras

Reaproximação entre Trump e Xi Jinping reacende disputa estratégica e amplia margem de manobra do Brasil

A sinalização de reaproximação entre Donald Trump e Xi Jinping reposiciona forças no tabuleiro geopolítico e pode abrir uma janela estratégica para países considerados-chave nesse novo arranjo, como o Brasil. A avaliação é de Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice International, em entrevista à CNN Brasil, na qual analisou os bastidores do movimento e suas consequências práticas.

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Segundo ele, a leitura de que o Brasil estaria apenas na condição de observador não se sustenta. “Não é bem assim”, afirmou. Para o analista, o peso brasileiro nesse tipo de articulação é maior do que em outros blocos internacionais. “Essa aliança toda não funciona se não tiver o Brasil”, disse, ao destacar que o país ocupa uma posição desproporcionalmente relevante nesse tipo de negociação.

Na análise, Aragão disse que essa centralidade confere poder de barganha imediato. “Isso dá um poder enorme pro Brasil, se o Brasil tiver afim de jogar bola com os Estados Unidos em relação a isso”, afirmou. Na visão dele, o país poderia, inclusive, impor condições objetivas logo de saída: “O Brasil pode condicionar a participação dele, às tarifas serem retiradas integralmente, imediatamente, agora.”

O analista avaliou ainda que, do ponto de vista norte-americano, essa exigência não seria um obstáculo intransponível. “Isso é o tipo de coisa que eu tenho certeza que os Estados Unidos vai topar, porque as tarifas já estão sendo consideradas sem sentido e a participação do Brasil é absolutamente crítica pro sucesso disso”, disse.

Outro ponto levantado por Aragão diz respeito ao tempo de execução dos acordos. Ele explicou que há margem para o Brasil assumir compromissos agora cuja implementação só ocorreria no longo prazo, independentemente de quem esteja no poder. “A execução desse acordo só vai acontecer anos depois da saída de Lula, da saída de Trump, da saída de todas essas pessoas”, afirmou, acrescentando que “todos esses acordos relacionados a minerais raros, eles vão constantemente ser revistos”.

Na comparação entre diferentes fóruns internacionais, o analista foi direto ao apontar onde o Brasil teria mais a ganhar. “Faz muito mais sentido o Brasil fazer parte de uma organização como essa, pra tentar tirar um proveito pessoal nessa história, do que participar daquele Conselho da Paz do Trump, que não faz nenhum sentido”, disse. Para isso, no entanto, ressaltou que o país precisa agir com firmeza. “O Brasil tem que delimitar muito bem quais são os objetivos que ele quer alcançar e não ter medo de jogar forte em relação a isso”, esclarece.

Thiago de Aragão ponderou que qualquer avanço concreto esbarra em desafios internos. “Quanto à execução, se vai tirar o mineral raro da Terra ou não, isso é um outro tipo de problema”, afirmou, ao lembrar que seriam necessárias mudanças legais. “Como é que você vai dar uma prioridade pra uma empresa determinada explorar? Como é que você vai dar prioridade pra que aquele produto seja exportado pra aquele outro país, e não um mercado livre, como naturalmente ocorre?”, finalizou.

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