O Tribunal de Contas da União (TCU) encerrou o processo de análise de documentos da liquidação extrajudicial do Banco Master enviados pelo Banco Central (BC). O trabalho foi realizado pela Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (AudBancos).
Segundo a CNN, agora o próximo passo é a entrega de um relatório técnico ao gabinete do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no tribunal. É possível que esse documento seja protocolado ainda na próxima semana.
De acordo com informações apuradas pelo portal, depois da avaliação do material pelo relator, o voto será levado ao plenário do TCU em um prazo estimado de até 40 dias.
A fiscalização iniciou em meados de janeiro, quando técnicos da AudBancos passaram a examinar os fundamentos que embasaram a decisão do Banco Central de decretar a liquidação da instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
Problemas de liquidez sob análise
A auditoria também buscou entender de onde vieram os problemas de liquidez do Banco Master. Os primeiros alertas do Banco Central apareceram em 2024, já sob a gestão de Gabriel Galípolo na autoridade monetária.
O trabalho dos auditores não ficou restrito a esse período. A análise foi estendida para anos anteriores e incluiu operações feitas até 2019, quando o BC ainda era comandado por Roberto Campos Neto.
Captação de recursos e modelo de negócio
Outro ponto central da inspeção foi entender como o banco obteve recursos ao longo do tempo, principalmente em emissão de CDBs que ofereciam rendimentos acima do padrão do mercado.
A ideia é levantar possíveis sinais de risco ligados ao modelo de negócios adotado pela instituição.
O relator do caso pediu ainda uma “linha do tempo” detalhada das decisões do Banco Central, com informações sobre os processos de governança e a avaliação de alternativas que causassem menos impacto ao sistema financeiro.
Entendimento entre TCU e Banco Central
A inspeção só saiu do papel depois de um acordo entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o Banco Central.
O BC desistiu dos embargos de declaração que contestavam a decisão inicial do relator e que levariam o assunto ao plenário.
Em contrapartida, o TCU garantiu que o sigilo bancário e as informações comerciais sensíveis do Banco Master seriam preservados ao longo da fiscalização.

