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Geopolítica

O que são minerais críticos e o que os diferencia das terras raras?

Materiais presentes em baterias, turbinas, redes elétricas e eletrônicos entram no centro das disputas comerciais

O que são minerais críticos e o que os diferencia das terras raras?

Minerais críticos são recursos naturais extraídos do subsolo que se tornaram indispensáveis para a economia contemporânea.

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Eles estão na base de tecnologias ligadas à eletrificação, à transição energética, à indústria digital e até ao setor de defesa.

Lítio, níquel, cobalto, manganês e grafite, por exemplo, são determinantes para o desempenho de baterias usadas em carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia.

Já cobre e alumínio sustentam redes elétricas, cabos, motores e praticamente todos os equipamentos que dependem de condução de eletricidade.

Sem esses materiais, a expansão de fontes renováveis, a digitalização e a eletrificação de transportes simplesmente não avançam. As informações são do portal IEA.

Problema atual

A Agência Internacional de Energia explica que o problema não está apenas na extração, mas principalmente no refino e no processamento.

Hoje, essa etapa está fortemente concentrada em poucos países, com destaque para China e Indonésia. Isso significa que, mesmo quando a matéria-prima existe em vários lugares do mundo, o controle sobre a etapa industrial cria um gargalo estratégico.

A agência também chama atenção para outro ponto: a reciclagem desses materiais pode reduzir de forma significativa a necessidade de abertura de novas minas nas próximas décadas, aliviando pressões ambientais e de oferta.

Minerais críticos, minerais estratégicos e terras raras não são a mesma coisa

De acordo com a Agência de Notícias da Indústria, minerais são substâncias naturais que, após beneficiamento, tornam-se matérias-primas da indústria.

Dentro desse universo, os chamados minerais críticossão aqueles cuja falta pode comprometer setores inteiros da economia global, seja por alta demanda, seja pela concentração do fornecimento em poucos países.

minerais estratégicos são definidos conforme o interesse de cada nação. Um país pode considerar estratégico um recurso que outro não considera, dependendo de sua base industrial, tecnológica e de segurança.

Como divulgado pelo Governo Federal, as terras raras, por sua vez, são um grupo específico formado por 17 elementos químicos, são eles lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.

Elas são usadas na produção de ímãs superpotentes empregados em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, telas, chips, sistemas militares e uma série de equipamentos de alta tecnologia.

Apesar do nome, não são raras na natureza, mas sua extração é complexa, cara e exige processos químicos sofisticados.

Toda terra rara pode ser considerada um mineral crítico, mas nem todo mineral crítico é terra rara.

Concentração global e risco geopolítico

Segundo o portal IEA, o mercado desses minerais vive um nível de concentração incomum quando comparado a outras commodities globais.

Em 2024, os três maiores países responsáveis pelo refino de minerais como lítio, níquel, cobalto, grafite, cobre e terras raras concentraram cerca de 86% desse processamento.

Grande parte dessa concentração está na China, que domina o refino de quase todos esses materiais, enquanto a Indonésia lidera no caso do níquel.

Essa dependência cria vulnerabilidade para países que precisam desses insumos para manter suas indústrias funcionando.

Mesmo com o aumento da oferta nos últimos anos, puxado principalmente por China, Indonésia e República Democrática do Congo, a Agência Internacional de Energia alerta que os investimentos em novas minas e em exploração desaceleraram em 2024, o que pode gerar desequilíbrios entre oferta e demanda na próxima década.

O papel da China e a janela de oportunidade para o Brasil

Como informado pelo portal Exame, a China construiu, ao longo de décadas, domínio não apenas sobre a exploração, mas sobretudo o processamento desses minerais, inclusive das terras raras.

Em 2023, o país reduziu exportações de alguns desses recursos em resposta a medidas comerciais dos Estados Unidos, o que gerou preocupação em países dependentes desses insumos.

Nesse cenário, o Brasil aparece como alternativa potencial. O país é o maior produtor mundial de nióbio, possui reservas relevantes de manganês, grafite, níquel, bauxita e lítio e detém uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do planeta, embora ainda com produção muito pequena.

Além das reservas, o Brasil reúne fatores considerados atrativos para parcerias internacionais: estabilidade institucional, tradição em mineração e capacidade de ampliar a produção com investimentos em tecnologia e processamento local.

A proposta de Donald Trump

Como divulgado pelo O Brasilianista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou uma proposta de criar uma zona de comércio preferencial dedicada a minerais considerados essenciais para a indústria moderna.

A iniciativa foi detalhada pelo vice-presidente JD Vance durante uma conferência ministerial sobre o tema.

A proposta prevê a formação de um arranjo entre países aliados que pode incluir preços mínimos de referência e mecanismos tarifários para evitar a entrada de produtos vendidos a valores muito baixos no mercado internacional.

A avaliação do governo americano é que essa prática compromete a competitividade da indústria dos países que não controlam o processamento desses materiais.

Estados Unidos, União Europeia, México e Japão já aderiram ao formato inicial. O Brasil está entre os países convidados a participar.

O objetivo declarado é reduzir a dependência da China nas cadeias globais de suprimento e criar um bloco com maior autonomia industrial.

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