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Economia

Trabalhadores tiveram ganho real em quase 80% dos acordos salariais, afirma pesquisa

Levantamento sindical revela predominância de aumentos acima do custo de vida, com diferenças entre setores

Trabalhadores tiveram ganho real em quase 80% dos acordos salariais, afirma pesquisa

O comportamento das negociações coletivas no último ano manteve uma tendência favorável aos trabalhadores.

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A maior parte dos acordos fechados em 2025 resultou em aumentos que ultrapassaram a variação do custo de vida calculada para famílias de menor renda.

De acordo com o portal UOL, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) avaliou 21.510 acordos salariais firmados no país e identificou que 77,7% deles garantiram reposição acima da inflação.

Outros 14,1% empataram com a variação dos preços e apenas 8,2% ficaram abaixo. A diferença média ficou em 0,87% acima do índice utilizado como referência para correção salarial.

Embora inferior ao desempenho observado em 2023 e 2024, o resultado mantém o terceiro ano consecutivo de ganho real nas mesas de negociação.

O índice usado como referência

O levantamento comparou os reajustes com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que encerrou 2025 em 3,9%.

Esse indicador mede a variação do custo de vida para famílias com renda de um a cinco salários mínimos e serve como base oficial para atualização de salários, aposentadorias e benefícios sociais.

Diferentemente do Índice de preços ao consumidor (IPCA), que considera o padrão de consumo de famílias com renda mais elevada, o INPC prioriza o impacto de despesas essenciais, como alimentação e transporte, na renda dos trabalhadores de menor poder aquisitivo.

Comportamento da inflação por faixa de renda

Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) citados pelo UOL, a inflação medida pelo IPCA foi de 3,8% para famílias de renda muito baixa e de 4,7% para famílias de renda alta.

O motivo principal foi o comportamento dos alimentos. A supersafra agrícola registrada em 2025 reduziu a pressão sobre os preços da comida consumida dentro de casa, cuja inflação ficou em apenas 1,43%.

Como alimentação compromete cerca de 30% do orçamento das famílias mais pobres, o impacto foi menor para esse grupo.

Já os mais ricos sentiram mais a alta dos serviços, que avançaram 6,01% no período, impulsionados principalmente pelo encarecimento do transporte por aplicativo, que subiu 56%.

Setores com melhor desempenho

Os ganhos reais variaram de acordo com o ramo de atividade. Serviços lideraram, com média de 0,94% acima da inflação. Em seguida vieram indústria (0,86%), setor rural (0,83%) e comércio (0,70%).

Essa diferença também aparece nos pisos médios pagos por setor. Trabalhadores de serviços recebem, em média, R$ 1.980. Na indústria, o valor é de R$ 1.847. No meio rural, R$ 1.778. No comércio, R$ 1.771.

Diferenças regionais

As negociações também variaram conforme a região do país. O Sudeste registrou os maiores ganhos reais, com média de 0,98% acima da inflação.

O Centro-Oeste veio na sequência, com 0,82%. Sul (0,81%), Nordeste (0,76%) e Norte (0,75%) fecharam com resultados próximos.

Reajuste do piso nacional em 2026

Como divulgado pelo O Brasilianista, os trabalhadores já começaram a receber o novo valor do salário mínimo, fixado em R$ 1.621 para 2026. O aumento foi de 6,79%, equivalente a R$ 103 a mais por mês.

O valor diário passa a ser de R$ 54,04 e o valor por hora, R$ 7,37. O pagamento já atualizado alcança empregados com carteira assinada e também aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O reajuste segue a regra que combina a variação do INPC acumulado até novembro com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, permitindo aumento acima da inflação quando a economia registra expansão.

Tendência mantida desde 2023

O estudo sindical indica que, apesar da diferença menor em relação aos dois anos anteriores, o padrão de negociações continua favorável desde 2023. Entre 2020 e 2022, a situação era oposta, com perdas acumuladas no poder de compra.

O cenário recente revela um período de recuperação, sustentado por inflação mais controlada para itens básicos e por mesas de negociação mais favoráveis aos trabalhadores.

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