Parlamentares do Congresso Nacional avançaram, ao longo de janeiro e início de fevereiro de 2026, em uma sequência de articulações que resultaram nos pedidos de criação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Mesmo com assinaturas suficientes na Câmara, no Senado e em comissões mistas, parlamentares ainda enfrentam entraves regimentais para a instalação formal das investigações.
Os caminhos que levam a CPI
- Em 20 de janeiro, os parlamentares conseguiram as assinaturas mínimas necessárias para criar duas CPIs relacionadas ao Banco Master. Uma no Senado e outra mista (com deputados e senadores). A efetivação das comissões ainda dependia de atos formais dos presidentes do Congresso e das Casas.
- Logo após, o Congresso já tinha reunido assinaturas suficientes para abrir CPIs no Senado, na Câmara e uma mista para investigar as supostas irregularidades cometidas pelo Banco Master em operações financeiras bilionárias. A formalização e instalação das comissões dependiam da leitura e agendamento pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.
- No começo de fevereiro de 2026, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentou o pedido de abertura da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados, com apoio de 201 parlamentares. Ele afirmou que a investigação era de caráter urgente e para apurar operações de cerca de R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito sem lastro e demais possíveis irregularidades.
Após isso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado começou a organizar um grupo de trabalho para acompanhar as investigações ligadas ao caso Banco Master. A ação reuniu parlamentares para requisitar documentos e acompanhar desdobramentos.
A instalação formal da CPI na Câmara e da CPMI depende da leitura dos respectivos pedidos em sessão, um ato que fica a cargo do presidente da Câmara e do presidente do Senado.
Hugo Motta deve adiar a CPI
Segundo O Brasilianista, dos 513 deputados, 258 já deram o “sim” para a investigação. O número representa quase metade de toda a Casa. No Senado, 55 dos 81 senadores (68% da Casa) são a favor da comissão. Entre os parlamentares existe uma vontade comum de que a CPI do Banco Master precisa acontecer.
Entretanto, nesta terça-feira (10), o presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou a jornalistas que seguirá a ordem cronológica das CPIs. Ou seja, será debatido o que já está em aguardando, e o caso master vai pro final da fila, atrás de 16 requerimentos.
O que levou o banco Master a seguir o caminho para uma CPI?
As articulações para a criação de uma CPI do Banco Master no Congresso Nacional começaram a ganhar força a partir de uma série de questionamentos sobre operações financeiras de grande porte atribuídas ao banco.
Durante as investigações que teve inicio no segundo semestre do ano passado, levou a prisão de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.
O foco central das suspeitas são as operações que resultaram em cerca de R$ 12 bilhões. Para os parlamentares, esse é um valor bem expressivo, o suficiente para justificar uma apuração rigorosa pelo Poder Legislativo.
Outro ponto foi a repercussão das negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Houve uma tentativa de transferência de ativos e passivos do Master para o BRB além da proximidade com atores do governo, principalmente Ibaneis Rocha, governador de Brasília.

