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Economia

Galípolo defende meta de inflação e explica desafios para reduzir juros no Brasil

Dirigente destacou fatores estruturais que afetam preços e esclareceu postura cautelosa nas decisões sobre política monetária

Galípolo defende meta de inflação e explica desafios para reduzir juros no Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a meta de inflação de 3% ao ano, calculada em um período de 12 meses, está adequada e alinhada ao cenário internacional. A declaração foi feita nesta quarta-feira (11), durante evento promovido pelo BTG Pactual, em meio a críticas políticas ao atual objetivo da política monetária brasileira.

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Segundo a IstoÉ Dinheiro, o dirigente esclareceu que o percentual adotado pelo Brasil segue parâmetros semelhantes aos praticados por outras economias, tanto desenvolvidas quanto emergentes. Ele também destacou que o país precisa ampliar o debate sobre os fatores que levam à manutenção de juros elevados para cumprir essa meta.

A fala ocorre poucos dias após o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovar um documento defendendo mudanças na política monetária. O texto afirma: “É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”.

Meta alinhada ao cenário internacional

Ao justificar a manutenção da meta atual, Galípolo citou um estudo realizado em parceria entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda, elaborado quando ele ainda atuava como secretário-executivo da pasta chefiada por Fernando Haddad.

“Comparamos as metas de diversos países, avançados e emergentes, para ver se a meta que a gente estava estabelecendo estava fora do que é a meta para muitos dos nossos pares. E não, ela está totalmente em linha com o que a gente observa com outros países do ponto de vista de você ter a meta nesse patamar”, afirmou Galípolo.

O estudo também embasou a mudança no regime de metas de inflação. Até 2024, o descumprimento era verificado ao fim de cada ano. Desde 2025, o modelo passou a ser contínuo, considerando o não cumprimento quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumula, em 12 meses, resultado acima do objetivo por seis meses seguidos.

A mudança buscou tornar o acompanhamento da inflação mais permanente e ajustar a política monetária de forma mais dinâmica.

Juros elevados e baixa produtividade

De acordo com o InfoMoney, durante o evento, o presidente do Banco Central também destacou um desafio recorrente da economia brasileira: a necessidade de manter taxas de juros elevadas para conter a inflação.

“O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema”, disse o presidente do BC.

A taxa básica de juros, a Selic, chegou a 15% ao ano em maio de 2025, o maior nível desde 2006. Mesmo com esse patamar elevado, Galípolo afirmou que a economia brasileira continua apresentando crescimento e inflação resistentes.

Na avaliação do dirigente, parte da explicação está na baixa produtividade do país. Ele apontou que os reajustes salariais seguem superiores tanto à inflação quanto ao avanço da produtividade, o que pressiona preços.

“A gente ainda é uma economia que vê poucos ganhos de produtividade, e segue vendo reajustes na remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade. Talvez, o tema central para discutir no país seja como conseguir um ambiente mais amigável e convidativo para que o investimento privado possa ocorrer, e que esse investimento privado consiga produzir, de maneira mais sustentável, ganhos de produtividade. É algo que não vai acontecer do dia para a noite”, analisou.

O presidente do BC também ressaltou que o mercado de trabalho segue aquecido, com níveis historicamente baixos de desemprego, o que reforça pressões econômicas e exige atenção da política monetária.

Decisões sobre juros e foco em estabilidade

Galípolo destacou ainda que a condução da política monetária exige cautela. Ao comentar os próximos passos do Banco Central sobre a taxa básica de juros, ele reforçou a necessidade de “serenidade” nas decisões.

“O que significa isso? Serenidade significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de uma maneira mais cometida e segura”, justificou.

Analistas do mercado financeiro divergem sobre a intensidade de um possível corte de juros na próxima reunião, com expectativas divididas entre reduções de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.

O presidente do Banco Central também afirmou que a prioridade de sua gestão será a estabilidade econômica. “É normal que existam movimentos pendulares, e esses movimentos pendulares não são negações aos movimentos anteriores, eles são complementações aos movimentos anteriores”, disse. “Agora é um momento que o Banco Central entende que ele precisa calcar e centrar na estabilidade, que é o seu mandato central.”

Além disso, Galípolo evitou comentar as possíveis indicações para a diretoria da instituição, destacando que a escolha é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República.

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