Renan Calheiros está empenhado em expor os rombos do Banco Master. A instituição de Daniel Vorcaro deixou rombos bilionários por todo o país, segundo investigações da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central (BC).
Vorcaro disse em depoimento à PF que conhece muitos políticos, mas que não tem influência sobre eles. De acordo com o banqueiro, caso tivesse toda essa influência, não estaria sendo alvo de investigação e seu banco não teria sido liquidado.
A afirmação de Vorcaro tem se mostrado equivocada. Apesar de o banqueiro liquidado extrajudicialmente estar sob escrutínio das autoridades, as tentativas de iniciar uma CPI do Master patinam na Câmara dos Deputados e no Senado.
É aí que entra Renan Calheiros. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o parlamentar criou dentro do colegiado a Subcomissão de Acompanhamento do Master. Na prática, o congressista está conduzindo uma espécie de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) paralela.
Tanto que o colegiado decidiu recentemente convidar o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Galípolo e Rodrigues não têm obrigação de comparecer, pois apenas CPIs podem obrigar autoridades e investigados a esclarecerem fatos presencialmente.
Para evitar esvaziamento da subcomissão e obter mais informações sobre a investigação, Renan Calheiros deve se reunir nesta quarta-feira (11) com Rodrigues e Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre o Caso Master — que tem sido pressionado por conta da atuação do ministro Dias Toffoli.
A subcomissão da CAE dá munição a Renan Calheiros. Seu principal adversário político em Alagoas, Arthur Lira, tem ligações com o caso. O sucessor (e aliado) de Lira na presidência da Câmara, Hugo Motta, tem evitado tocar uma CPI.
Outro aliado de Lira (e também de Motta), Jhonatan de Jesus, tentou influenciar o caso Master no Tribunal de Contas da União (TCU). Não deu certo. Perdeu o controle do processo para Vital do Rêgo, presidente do órgão administrativo que costurou uma saída política para evitar mais constrangimentos ao TCU e ao BC.

