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Economia

Serviços perdem fôlego no fim do ano, mas 2025 mantém crescimento acima do pré-pandemia

Queda em dezembro interrompe sequência positiva, enquanto tecnologia e turismo sustentam expansão acumulada no ano

Serviços perdem fôlego no fim do ano, mas 2025 mantém crescimento acima do pré-pandemia

O setor de serviços, que reúne atividades como transporte, tecnologia, turismo, informação, consultorias e apoio às empresas, encerrou dezembro com retração de 0,4% em relação a novembro, já descontados efeitos sazonais.

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A variação negativa interrompe uma sequência de nove meses de resultados positivos. Apesar do recuo mensal, o volume total de serviços permanece 19,6% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia.

E apenas 0,4% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em novembro de 2025. No acumulado de janeiro a dezembro, o setor avançou 2,8%. As informações são da Agência de Notícias IBGE.

Esse contraste, queda no mês e crescimento no ano, revela uma desaceleração pontual, não uma reversão estrutural. Ainda assim, a interrupção da trajetória ascendente levanta dúvidas sobre o ritmo da economia no início de 2026.

Transporte puxa resultado para baixo

O principal impacto negativo em dezembro veio da área de transportes, que engloba deslocamento de passageiros, logística de cargas, transporte aéreo e serviços auxiliares. O segmento recuou 3,1% no mês, com perdas espalhadas por todas as modalidades.

A retração do transporte aéreo foi uma das mais intensas. Também houve queda no transporte terrestre e nos serviços ligados à armazenagem e correio.

Além dos transportes, outros serviços e atividades profissionais e administrativas também registraram desempenho negativo na passagem de novembro para dezembro.

Transporte mais fraco costuma indicar menor circulação de mercadorias e passageiros, o que pode estar associado a redução de encomendas, ajustes de estoques ou menor ritmo de consumo no período.

Tecnologia e serviços às famílias sustentam o ano

Enquanto alguns ramos perderam força, outros seguiram em expansão. Informação e comunicação cresceram 1,7% em dezembro, impulsionadas por desenvolvimento de softwares, hospedagem de dados, serviços de internet e consultoria em tecnologia da informação.

No acumulado de 2025, esse grupo teve uma das contribuições mais relevantes para o resultado anual, com alta de 5,5%.

Serviços prestados às famílias, categoria que inclui hotéis, restaurantes, eventos e lazer também apresentaram crescimento ao longo do ano.

Esse avanço indica manutenção da demanda por atividades presenciais e turismo, mesmo em ambiente de crédito mais restrito.

O dinamismo dessas áreas ajuda a explicar por que o setor como um todo fechou o ano no campo positivo, apesar da oscilação de dezembro.

Turismo renova recorde

Um dos destaques de 2025 foi o agregado especial de atividades turísticas. Em dezembro, o indicador subiu 0,2% frente ao mês anterior, acumulando cinco resultados positivos consecutivos.

O turismo encerrou o ano 13,8% acima do patamar pré-pandemia e atingiu novo recorde da série histórica.

O avanço foi sustentado por transporte aéreo de passageiros, serviços de hospedagem, bufês e reservas ligadas a viagens. Esse desempenho tem impacto direto sobre emprego em hotéis, bares, restaurantes e companhias aéreas.

Para estados dependentes do fluxo de visitantes, o resultado representa arrecadação maior e fortalecimento de cadeias produtivas locais.

Diferenças regionais ampliam desigualdades

Os números revelam um mapa heterogêneo. Na comparação mensal, 16 das 27 unidades da federação registraram queda em dezembro.

São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul figuraram entre os locais com retração mais relevante no mês, enquanto Rio de Janeiro e Paraná apresentaram crescimento.

No acumulado do ano, porém, 22 estados fecharam 2025 com expansão. O principal impacto positivo veio de São Paulo, seguido por Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Essa diversidade regional significa que os efeitos sobre emprego e arrecadação não são uniformes. Estados com forte presença de tecnologia e turismo tendem a apresentar maior resiliência.

Já aqueles mais dependentes de transporte e atividades financeiras podem sentir a desaceleração de forma mais intensa.

Transporte de passageiros e cargas em trajetórias distintas

O transporte de passageiros recuou 3,9% em dezembro frente ao mês anterior, acumulando dois meses seguidos de queda. Ainda assim, permanece acima do nível pré-pandemia.

O transporte de cargas também caiu no mês, mas mantém patamar 38% superior ao observado antes da crise sanitária.

No acumulado de 2025, passageiros avançaram 6,3% e cargas 1,5%. Essa diferença indica que o deslocamento de pessoas cresceu mais rapidamente do que a movimentação de mercadorias ao longo do ano.

Impactos econômicos e próximos movimentos

O setor de serviços responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB). Qualquer oscilação nesse segmento tem repercussão direta sobre emprego, renda e arrecadação.

Como divulgado pelo O Brasilianista, a indústria encerrou 2025 com crescimento modesto e perda de ritmo em dezembro, em meio a juros elevados e ajustes de produção.

Quando serviços e indústria reduzem velocidade ao mesmo tempo, o efeito pode se espalhar por diferentes cadeias econômicas.

Empresas tendem a rever planos de investimento, estados reavaliam receitas e trabalhadores enfrentam maior incerteza quanto à geração de vagas.

O resultado de dezembro, embora pontual, serve como alerta sobre o grau de sensibilidade da economia a custos de crédito e ao comportamento da demanda.

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