A votação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, na Câmara dos Deputados, está prevista para ser retomada no próximo dia 24. Inicialmente, a expectativa era de que a análise acontecesse durante a reunião desta semana, mas o processo foi adiado após um pedido de vista, que suspendeu temporariamente as deliberações.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), confirmou a data da análise após participar de reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. De acordo com o representante, a aprovação do acordo de livre comércio entre os dois polos econômicos deve acontecer o mais rápido possível para entrar em vigor, segundo informações da Agência Senado.
“Não há outro caminho a não ser proporcionar condições favoráveis para que esse acordo, de uma vez por todas, possa entrar em vigor. Vinhos, chocolates, medicamentos, máquinas e carros europeus tendem a ficar mais acessíveis. Mais do que isso, vamos mandar produtos nossos com preços competitivos para lá, é algo muito positivo que vai incrementar a nossa economia”, disse Nelsinho Trad.
Grupo de trabalho
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou a criação de grupo de trabalho, que será um apoio para estudar medidas de proteção a produtores brasileiros que possam ser prejudicados pelo acordo. Participarão das atividades técnicos do governo, consultores do Senado, bem como parlamentares.
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, o senador Nelsinho Trad explicou que na prática, o grupo de trabalho terá como objetivo permitir ajustes e esclarecimentos durante a implementação do tratado. “Se determinado setor se sentir prejudicado, tiver alguma dúvida ou precisar fazer algum ajuste, que acione esse grupo de trabalho. Nós vamos fazer as interlocuções pertinentes com os ministérios. Queremos criar um canal aberto para a sociedade”, afirmou Trad.
Sobre os planos, Geraldo Alckmin disse que a criação de um grupo de trabalho é importante para analisar salvaguardas. Segundo ele, o acordo do Mercosul com a União Europeia é uma oportunidade de vender produtos brasileiros e atrair investimentos para o Brasil.
Além disso, o vice-presidente da República defendeu que as indústrias não sobrevivem sem o comércio exterior e que o acordo representa mais emprego, mais renda e oportunidades para os brasileiros.
Caminho até aprovação
O texto está previsto para ser votado diretamente no plenário da Câmara dos Deputados até o fim de fevereiro. Em seguida, a proposta será encaminhada ao Parlamento do Mercosul e, posteriormente, ao Senado Federal. Caso seja aprovado em todas as etapa dos Congresso Nacional, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar o acordo, etapa final para que o texto entre em vigor no país.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em janeiro, após mais de duas décadas de tratativas. O acordo é visto como uma medida estratégica, considerando que a União Europeia e o Brasil mantiveram relações comerciais importantes ao longo de 2025, com forte participação nas exportações brasileiras.

