Renato Rabelo, dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), morreu na tarde deste domingo (15), vítima de um câncer no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O comunicado do falecimento foi dado pelo partido, que classificou o homem como figura central na construção da organização e na sua inserção em arenas nacionais e internacionais. O velório está sendo realizado no Palácio do Trabalhador, em São Paulo.
Após a confirmação do falecimento de Renato Rabelo, houve homenagem de importantes figuras do campo progressista brasileiro. A principal foi a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou a contribuição de Rabelo nos tempos de redemocratização e na construção de alianças, além de manifestações de dirigentes partidários que realçam sua dedicação e consistência ao longo de décadas de militância.
Trajetória
O contexto no qual Rabelo consolidou sua atuação política chama atenção principalmente em relação à forma em que ele era visto por outros atores do meio. Enquanto algumas avaliações institucionais destacam seu papel em ampliar a presença do PCdoB em governos e cargos, inclusive participando de coalizões e integrando a legenda a espaços estatais, sua base ideológica continuou vinculada a tradições comunistas de matriz clássica, inspiradas em correntes rígidas do marxismo leninismo.
Historicamente, essa matriz, particularmente a que o partido seguiu em décadas anteriores, refletiu a cartilha de experiências internacionalistas como a albanesa sob Enver Hoxha, marcada por um comunismo de inspiração stalinista-maoísta que se mostrou anacrônico frente às transformações do capitalismo e às dinâmicas políticas brasileiras no pós-1988. Essa ligação doutrinária foi um componente importante do percurso político de Rabelo, mas também um elemento que, para setores mais críticos, comprometeu a capacidade de adaptação estratégica do PCdoB às exigências práticas do jogo político nacional.
Análises consideram que Renato Rabelo foi um dirigente que, embora tenha sido dotado de dignidade pessoal e capacidade de organização partidária, representou também uma matriz política e ideológica que, num balanço histórico, se revela antiquada diante das exigências estratégicas da política brasileira contemporânea.
Chegada ao partido político
A sua trajetória militante iniciou-se, como a de muitos quadros políticos de sua geração, no movimento estudantil e foi atravessada pela repressão da ditadura militar. Ele teve participação ainda na Ação Popular e depois integrou o Comitê Central do PCdoB, onde consolidou sua trajetória política e ideológica. Em 2001, ele chegou à presidência nacional do PCdoB, cargo que ocupou até 2015, esteve à frente da organização em momentos de adaptação ao sistema democrático e de busca por relevância eleitoral e parlamentar. Ele esteve à frente também da Fundação Maurício Grabois e foi presidente de honra da entidade até sua morte.

