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Geopolítica

Entenda o que está por trás da nova viagem de Lula à Ásia

Agenda inclui minerais críticos, inteligência artificial e novo plano com Seul

Entenda o que está por trás da nova viagem de Lula à Ásia

Nesta terça-feira (17) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para a Índia e, em seguida, para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda oficial voltada à ampliação das relações comerciais e estratégicas do Brasil com países asiáticos.

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A viagem ocorre em meio ao debate interno sobre dependência econômica da China e às tensões comerciais internacionais.

Além disso, envolve temas sensíveis como minerais críticos, inteligência artificial e atração de investimentos. As informações são do portal O Tempo.

Contexto das viagens

A movimentação presidencial na Ásia ocorre em um momento em que o governo brasileiro avalia riscos de concentração excessiva das exportações em um único parceiro. Atualmente, a China é o principal destino das vendas externas brasileiras, especialmente em produtos como soja, minérios e combustíveis.

Nesse contexto, a visita busca ampliar o leque de interlocutores estratégicos, sobretudo em setores ligados à transição energética e à transformação digital.

A agenda na Índia inclui discussões sobre minerais críticos e inteligência artificial, dois temas considerados centrais para soberania econômica e tecnológica. Os minerais críticos como terras raras são insumos essenciais para produção de semicondutores, baterias de veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.

O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses recursos. Entretanto, o governo defende que o processamento ocorra em território nacional, evitando que o país atue apenas como exportador de matéria-prima.

A participação do presidente na Cúpula de Inteligência Artificial, em Nova Délhi, reforça essa estratégia. O evento reúne representantes de dezenas de países e debate regulação e governança global da tecnologia.

Na Coreia do Sul, a agenda inclui a adoção de um plano trienal (2026-2029) voltado ao fortalecimento da parceria bilateral.

A expectativa é ampliar cooperação tecnológica e incentivar novos fluxos de investimentos sul-coreanos no Brasil.

Agenda oficial e objetivos econômicos

De acordo com o InfoMoney, o roteiro oficial se estende até 24 de fevereiro e inclui parada técnica na Tunísia antes da chegada à Índia.

A visita ao país asiático é apresentada como retribuição à passagem do primeiro-ministro Narendra Modi pelo Brasil durante a cúpula do Brics.

Na capital indiana, o presidente participará da cúpula internacional sobre inteligência artificial. O encontro reúne representantes de aproximadamente 50 países e milhares de participantes.

Além disso, estão previstos fóruns empresariais tanto em Nova Délhi quanto em Seul. Na Índia, o Fórum Empresarial Brasil-Índia deve reunir centenas de companhias interessadas em ampliar negócios bilaterais em áreas como agricultura, energia, sustentabilidade e turismo. Já na Coreia do Sul, o Fórum Empresarial Brasil-Coreia tem foco em tecnologia, agropecuária e cosméticos.

O plano de ação trienal pretende elevar o relacionamento ao patamar de parceria estratégica, criando ambiente institucional mais favorável para novos investimentos.

A estratégia inclui diálogo direto com o setor privado. Assim, o governo busca sinalizar estabilidade regulatória e abertura para cooperação tecnológica.

Redução da dependência chinesa e minerais críticos

Segundo o jornal O Globo, a viagem ocorre em meio a um esforço mais amplo para reduzir a dependência da China como principal destino das exportações brasileiras.

O diagnóstico interno considera que o eixo econômico global se desloca para a Ásia, mas também avalia que concentração excessiva amplia vulnerabilidades externas.

Desde 2009, a China ocupa o posto de maior parceiro comercial do Brasil. O volume exportado ultrapassa US$ 100 bilhões anuais, com superávit expressivo na balança comercial. Contudo, essa dependência pode limitar margem de manobra em cenários de instabilidade.

A Índia surge como alternativa de longo prazo, impulsionada por sua população superior a 1,4 bilhão de habitantes e expansão da classe média.

O país também mantém política externa relativamente autônoma, inclusive em relação aos Estados Unidos.

No caso sul-coreano, a pauta envolve abertura de mercado para carne brasileira e ampliação da cooperação em semicondutores e setores industriais de alta tecnologia. A Coreia do Sul é vista como parceiro relevante para a estratégia de reindustrialização.

Especialistas avaliam que a diversificação responde às tarifas e barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos nos últimos anos.

Além disso, o governo brasileiro busca preservar autonomia diplomática diante das disputas entre Washington e Pequim.

Impactos econômicos e riscos institucionais

A estratégia da Lula na Índia e Coreia do Sul pode alterar a configuração das relações comerciais brasileiras no médio prazo. Ao ampliar interlocução com novos mercados, o Brasil reduz exposição a choques específicos.

Entretanto, há desafios. Negociações envolvendo minerais críticos envolvem interesse direto de grandes potências. O processamento interno exige investimento em infraestrutura, tecnologia e regulação ambiental.

Além disso, acordos em inteligência artificial demandam definição clara de regras sobre proteção de dados e propriedade intelectual. A inserção internacional nessa área pode gerar ganhos tecnológicos, mas também impõe responsabilidades regulatórias.

Politicamente, a movimentação sinaliza busca por maior autonomia externa. Ao mesmo tempo, exige equilíbrio diplomático para não tensionar relações com parceiros tradicionais.

Nos próximos meses, os desdobramentos dependerão da formalização de acordos, do avanço do plano trienal com Seul e da consolidação de entendimentos com Nova Délhi.

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