Dados sigilosos da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi), obtidos pelo G1, revelam um cenário de degradação nas contas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Segundo o levantamento, a estatal está imersa em um efeito cascata onde a queda na qualidade dos serviços prestados afasta clientes, reduzindo a arrecadação e a capacidade de investimento da companhia.
Segundo o portal, a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo detalha no documento que a baixa eficiência operacional comprometeu a geração de caixa necessária para honrar compromissos básicos.
As tratativas comerciais com grandes contas, responsáveis por mais da metade do faturamento, tornaram-se complexas, resultando em acordos aquém do esperado e perda de mercado.
Radiografia do endividamento
O passivo acumulado com tributos, folha de pagamento e fornecedores atingiu a marca de R$ 3,7 bilhões até o terceiro trimestre de 2025. A sustentabilidade do negócio é ameaçada por uma insuficiência crônica de recursos em caixa.
O diagnóstico aponta que o impasse não é pontual, mas reflexo de um modelo de gestão que opera no limite entre as exigências legais de uma estatal e a pressão de um mercado competitivo.
Entre janeiro e setembro de 2025, o fluxo de caixa sofreu uma retração de 17,6% em comparação ao ano anterior, representando uma perda de R$ 3,23 bilhões.
Entradas e saídas
Os números comparativos entre os primeiros nove meses de 2024 e 2025 mostram:
Para tentar mitigar o colapso financeiro, a empresa recorreu a R$ 13,8 bilhões em empréstimos ao longo de 2025, embora o montante principal tenha sido disponibilizado apenas no apagar das luzes do ano, em 30 de dezembro.
O ano de 2026
As estimativas internas indicam que o fechamento do balanço de 2025 deve apresentar um prejuízo de R$ 5,8 bilhões uma leve melhora frente aos R$ 6 bilhões acumulados até setembro.
Contudo, o horizonte para este ano é de maior gravidade. A projeção da diretoria para dezembro de 2026 é de que o déficit alcance R$ 9,1 bilhões, conforme o ajuste de expectativas do Programa de Dispêndios Globais.
A crise
Segundo O Brasilianista, no início de fevereiro, os Correios colocaram o patrimônio parado para circular. Como parte de uma reforma interna para tentar equilibrar as contas, a estatal começou a se desfazer de imóveis que não têm mais utilidade para o dia a dia da operação.
A ideia é dar um fôlego extra ao caixa e focar no que realmente importa hoje. A rodada de negócios começou em fevereiro de 2026, com leilões digitais marcados para os dias 12 e 26.
No momento, 21 propriedades estão no balcão de anúncios, disponíveis para lances de empresas ou de qualquer cidadão interessado. E a lista deve crescer, já que outros endereços estão passando por avaliação para as próximas etapas.
O que está à venda?
A meta da empresa é levantar até R$ 1,5 bilhão até o final de 2026 para reformar a infraestrutura logística e garantir que a estatal consiga se manter sustentável no futuro, sem que o atendimento ao público sofra qualquer baixa com a saída desses prédios.
A oferta é variada e está espalhada por 13 estados, incluindo Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, entre o que está a venda estão:
- Terrenos e galpões
- Lojas e prédios de escritórios;
- Antigos complexos operacionais
- Apartamentos funcionais
Os valores iniciais são estão a partir de R$ 19 mil e chegando a cifras de R$ 11 milhões.
Para os Correios, manter prédios vazios custam caro. Ao vender, a estatal corta gastos de manutenção e transforma tijolo em dinheiro vivo para investimentos urgentes.

